domingo, 28 de agosto de 2011

O Bonde e a Mobilidade Urbana





ultimo segundo





Mais uma tragédia envolvendo o transporte na Região Metropolitana da Cidade do Rio de Janeiro. Desta vez envolvendo o bonde de Santa Teresa, com cinco mortos e cinco dezenas de feridos. este acidente entra na lista dos fatos negativos envolvendo turistas na cidade, como o assalto com fuzis a uma van que transportava estrangeiros no gasômetro nesta semana ou ao turista francês Charles Damien Pierson, de 24 anos, que despencou do alto dos Arcos da Lapa, devido ao alambrado que faz esta proteção não estar fixado adequadamente, em junho passado.

Ontem foi o bonde, amanhã o trem, depois o metro e em seguida as barcas, acompanhando os acidentes com ônibus de todos os dias. Na verdade, falta uma grande discussão nacional sobre Mobilidade Urbana. Neste acidente com o bonde, são de igual teor as declarações do Secretário de Transporte, da Assoc. de Moradores de S. Teresa, dos antigos funcionários dos bondes em agosto de 2009, há exatos dois anos atrás. O que falta então?

Para os bondes há um relatório do Crea-RJ, que transcreveremos a seguir, para as barcas, a CPI presidida pelo Deputado Gilberto Palmares e que contou com a colaboração do Crea-RJ é suficiente. Para os trens e Metro os relatórios até da AGESTRANP, sempre condescendente são suficientes.

Não podemos conviver com passageiros andando sobre trilhos, composições do Metro sem energia ou avariadas, com resgate deficiente. Soma - se a esta situação, o estado precário dos ônibus, pois tendo como parâmetro o Edital para modernização da frota lançado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, nenhum dos atuais ônibus ou caminhões encaroçados, circularia.

Adicionamos infelizmente, ao continuo decréscimo do estado de mobilidade urbana, o estado das calçadas, a falta de iluminação nas vias, escadas rolantes desligadas no Metro e na Supervia, passageiros na chuva para pegar as barcas.

Em recente matéria no RJ TV, a Sra.. Ana Rosa da Univ. Corporativa do Transporte, UCT, declarou que faltam três mil motoristas no estado. Se faltam três mil motoristas, pelo menos 1 . 500 ônibus, sem contar o período da madrugada não estão circulando.

Se não faltam tantos ônibus assim, pior, pois significa que estão dobrando, 4 a 5 horas a mais da jornada de oito horas, todos os dias. E porque razão? No passado recente um motorista recebia cinco salários mínimos, cerca de três mil reais. Hoje, os antigos, estão com R$ 1.300 (dois S.M.) e os iniciantes com R$ 950. Mas a tarifa é a mesma, mesmo sem cobrador.

Para falar um pouquinho dos táxis, em recente fiscalização, entre 20 e 40% dos táxis foram reprovados. Mantida a média, para uma frota de 36 mil táxis, teríamos cerca de sete mil táxis irregulares. Nesta semana um falso taxista foi preso com estrupador.

Qualquer solução de gabinete, só vai agravar o problema da Mobilidade Urbana, como a decisão pelo BRT da Barra, quando a opção sobre trilhos é a mais duradoura, segura e adequada.

A questão da Mobilidade Urbana, não tem solução mágica. É um processo que envolve as autoridades, as empresas, os sindicatos, a população, a s associações comerciais, etc.



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Gol de placa do Romário !

Gol de placa do Romário !


O discurso de Romário sobre as desapropriações para a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil

O deputado Romário (PSB-RJ) acaba de fazer o seguinte discurso na Câmara, em Brasilia:

Senhor Presidente,

Nobres colegas,

Quem me conhece, quem acompanha minha atuação como parlamentar, sabe que eu, como milhões de brasileiros, estou na torcida para que o país realize da melhor maneira possível a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

É por isso, inclusive, que tenho demonstrado preocupação e cobrado publicamente explicações das autoridades para os atrasos nos preparativos para esses eventos.

Por outro lado, assim como vários colegas da Comissão de Turismo e Desporto, tenho procurado chamar a atenção para a necessidade de que esse processo seja conduzido com absoluta transparência, com espírito cívico, e também para que não deixemos em momento algum de ter em mente o legado desses eventos esportivos, isto é, o que vai ficar para a nossa população depois que o circo for embora.

Por isso, Senhor Presidente, é que venho acompanhando com apreensão as notícias sobre o modo como têm sido realizadas, em alguns casos, as desapropriações para a realização das obras. Há denúncias e queixas sobre falta de transparência, falta de diálogo e de negociação com as comunidades afetadas, no Rio de Janeiro e em diversas capitais.

Há denúncias também de truculência por parte dos agentes públicos.

Isso é inadmissível, Senhor Presidente, e penso que esta Casa precisa apurar essas informações, debater esse tema.

Não podemos nos omitir.

Diante desse quadro, nosso país foi objeto de um estudo das Nações Unidas, e a relatora especial daquela Organização chegou a sugerir que as desapropriações sejam interrompidas até que as autoridades garantam a devida transparência dessas negociações e ações de despejo.

Um dos problemas apontados se refere ao baixo valor das indenizações.

Ora, nós sabemos que o mercado imobiliário está aquecido em todo o Brasil, em especial nas áreas que sediarão essas competições.

Assim, o pagamento de indenizações insuficientes pode resultar em pessoas desabrigadas ou na formação de novas favelas.

Com certeza, não é esse o legado que queremos.

Não queremos que esses eventos signifiquem precarização das condições de vida da nossa população, mas sim o contrário!

Também não podemos admitir, sob qualquer pretexto, que nossos cidadãos sejam surpreendidos por retro-escavadeiras que aparecem de repente para desalojá-los, destruir suas casas, como acontece na Palestina ocupada.

E, como frisou a senhora Raquel Rolnik, relatora da ONU, “Remoções têm que ser chave a chave”. Ou seja, morador só sai quando receber a chave da casa nova.

É assim que tem que ser.

Tenho confiança de que a presidente Dilma deseja que os prazos dos preparativos para a Copa e as Olimpíadas sejam cumpridos, mas não permitirá que isso seja feito atropelando a Lei e os direitos das pessoas, comprometendo o futuro das nossas cidades. Espero que ela cuide desse tema com carinho.

É hora, Senhor Presidente, nobres colegas, de mostrarmos ao mundo que o Brasil realiza eventos extraordinários, sem faltar ao respeito com a sua população.

Era o que tinha a dizer. Muito obrigado.