sábado, 30 de outubro de 2010
Nova Presidenta, novo Senado, nova Câmara, o Brasil saiu mais forte desta eleição.
A lista de tradicionais políticos abatidos pelas urnas é enorme. Artur Virgílio, Heraclito Fortes, Cesar Borges, Tasso Jeiressati, Gustavo Fruet, Marco Maciel, Cesar Maia, Heleisa Helena, todos derrotados em eleição para o senado com a disputa de duas cadeiras.
Soma-se a estes nomes, Orestes Quercia, doente e Gabeira , talvez o maior derrotado de todos, pelas inúmeras concessões que fez de caráter ético.
Mas é na Câmara Federal, que esta derrota é mais significativa, pois o PSDB, principal partido de oposição, vê sua bancada ser deduzida de 99 deputados, em 1998, para apenas 53 nestas eleições de 2010. Uma redução de quase 50% em quatro eleições.
Em sete estados não elegeu um único parlamentar se quer como Amazonas, D.F. Piauí, R.G. do Norte, Rondônia, Roraima e Sergipe.
As causas são muitas, mas a principal é a política de desqualificação do adversário, que fomentou no PSDB, a pecha de partido rancoroso, partido do ódio e da acusação sistemática.
Veja a composição das bancadas na Câmara dos Deputados a partir de 2011:
PT - 88 / PMDB - 79 / PSDB - 53 / DEM - 43 /PP - 42 /PR - 41 /PSB - 34 /PDT - 28
PTB - 21/PSC - 17 /PPS - 12/PV - 14/PCdoB - 15/PRB - 8/PSOL - 3/PMN - 4/PHS -2/
PTC - 1/PTdoB - 3/PSL - 1/PRP - 2/PRTB - 2
Nem todos os líderes da oposição agiram da mesma forma. Dos líderes do PSDB, o menos tucano, o mais cordial e sagaz, é o senador eleito Aécio Neves, político experiente que soube engendrar uma aliança surpreendente do PSDB com o PT para as eleições de Belo Horizonte, e conquistar em 2010 a maior vitória do seu partido nestas eleições, confirmando a máxima popular que diz, "passarinho que acompanha morcego, dorme de cabeça para baixo".
Tenho absoluta certeza, que se o candidato a presidente fosse o Aécio, um político jovem, mas nem por isso menos perigoso, astuto, que viria com dois discursos, o primeiro seria da renovação, para arejar a política nos tempos de "ficha limpa', com mais energia e saúde, para uma Brasil, blá,blá,blá.
O outro, mais republicano, dos ideais do seu avô, Tancredo Neves, o defensor dos desígnios para o nosso País, pensado por ele para o novo milênio, inaugurando uma era de prosperidade, blá,blá,blá.
Claro que nada disso aconteceu, Aécio neste segundo turno, está que nem aquele craque de futebol recentemente vendido para o exterior por uma fortuna, correndo para não chegar nem na bola, nem no adversário, com medo de contusões.
Aécio quer o fim rápido deste 2º turno e claro não desejaria esperar 2018, numa eventual e cada vez mais improvável vitória de Serra nestas eleições.
O quadro de 2011, mudará completamente. O Governo Dilma terá maioria na Câmara e no Senado, a oposição tentará se aglutinar num novo partido, a exemplo das montadoras de automóveis, que quando um modelo encalha, logo lançam um outro com nova frente e painel novos, mas motor, suspensão e parte elétrica antigos.
Mas Dilma não terá boa vida, pois este segundo turno aumentou o valor dos partidos aliados, a começar pelo PMDB, que é sempre uma incógnita no painel político brasileiro.
Nova Presidenta, novo Senado, nova Câmara, o Brasil saiu mais forte desta eleição.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
O Governo Lula colocou cerca de 3 mil anúncios no lixo da revista Veja, pois a cada semana são sete páginas do Banco do Brasil, da Petrobras, Correios, Sebrae etc.
O Banco do Brasil, paga ao Globo Rural, para dizer que falta custeio à agricultura familiar, que as estradas estão péssimas etc.. Quando a agricultura familiar é a principal responsável pela estabilização dos preços da cesta básica nestes últimos oito anos.
Não proponho a censura em troca de propaganda , mas pagar para ouvir mentiras contra nossa política não é engraçado.
Temos que cortar o financiamento do PIG, dentro da lei e da ordem. A TV Globo que estava com altas dívidas em dólar, após a aventura da TV Montecarlo, que gerou um passivo de 3 bilhões de dólares, recebeu dinheiro do nosso BNDES para sair do buraco . Quanto ?
Esta situação vai continuar no Governo Dilma ? Pois não aguento ficar desmentido os fuxicos dos Civitas, dos Marinhos, dos Frias, dos Mesquitas .
Alguns comentaristas sobrevivem por falar barbaridades da gente, é como o Jacour, Diogo Mainá , Cesar Mula e outros.
Vamos parar com o complexo de vira-lata(Nelson Rodrigues), após ir a uma passeata , no dia seguinte correr para banca de jornal para saber quantas pessoas a imprensa noticiou.
Reparem, que a maioria dos jornaleiros já não tem o trabalho de expor os periódicos nas suas bancas, pois os jornais tiveram uma queda vertiginosa nas suas tiragens. Neste domingo, o Globo estava sendo vendido a dois reais no calçadão da avenida Atlântica.
Qualquer ramo de atividade tem a sua avaliação. Médico, da engenharia, do comércio e da indústria via Procon. Orgãos públicos tem os TCU e TCE. A propaganda o CONAR. até porque aquele iogurte pode não valer por um bifinho. Mas a imprensa como impor os limites? Vale tudo ? Alguns jornais tem os seus "ombudsman" mas são limitados aos seus próprios orgãos de atuação. mas uma rápida lida em suas colunas, confirma a intenção dstas linhas.
Está fazendo falta um jornalismo mais conceitual, menos partidário, mais universal.
Nos municípios do interior a situação é ainda pior, pois além de chegar tarde, os jornais da capital chegam em número de oito ou dez exemplares.
Há quanto tempo você não vê uma pessoa lendo uma Veja num transporte ?
Vamos nos impor, pressionar para que Dilma não dê entrevista exclusiva para TV Globo, nos JN da vida. Aos inimigos o tratamento igualitário entre os meios de comunicação.
Por enquanto anúncio zero no PIG, para começar a conversar e não fazer papel ridículo perante o povo.
Serra propõe um Bordel Eleitoral
Serra insinua que mulheres jovens precisam ter vários parceiros
29 de Outubro de 2010, por Blogueir@s com Dilma - Sem comentários aindaFonte: Correio do Brasil - 28/10/201
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Não deu no Jornal Nacional: Ministério Público abre inquérito para investigar licitação do metrô
Não deu no Jornal Nacional: Ministério Público abre inquérito para investigar licitação do metrô
“O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar a licitação dos lotes de 3 a 8 da linha 5 (Lilás) do metrô após reportagem da Folha, assinada por Ricardo Feltrin, informar que o jornal soube seis meses antes da divulgação do resultado e quais seriam os vencedores.
O inquérito, feito a pedido do governo de São Paulo, ficará sob responsabilidade do promotor Luiz Fernando Rodrigues Pinto Junior.
Ontem, o governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), determinou a suspensão do processamento da licitação.
O resultado só foi divulgado na última quinta-feira, mas o jornal já havia registrado o nome dos ganhadores em vídeo e em cartório nos dias 20 e 23 de abril deste ano, respectivamente.
A licitação foi aberta em outubro de 2008, quando o governador de São Paulo era José Serra (PSDB) –ele deixou o cargo no início de abril deste ano para disputar a Presidência da República. Em seu lugar ficou seu vice, o tucano Alberto Goldman.
Além do Ministério Público, o atual governador informou que determinou à Casa Civil que solicite investigação à Corregedoria-Geral do Estado.”Matéria Completa
Blog da campanha de Serra falsifica declaração de apoio de Marina
Blog da campanha de Serra falsifica declaração de apoio de Marina
A senadora e ex-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, repeliu ontem o que o comando nacional do Partido Verde chamou de “iniciativas fraudulentas” para envolvê-la em ações de apoio à candidatura de José Serra (PSDB).
“Não usem meu nome para o vale-tudo eleitoral”, afirmou a senadora, de acordo com informações de sua assessoria.
A falsa declaração de voto de Marina no candidato tucano foi feita com um endereço de e-mail que não corresponde ao dela e publicada no blog Eu Vou de Serra 45.
“Infelizmente, muitos não aprenderam nada com os resultados das urnas e continuam a promover a política de mais baixo nível ao usar estratagemas banais para buscar votos”, criticou a senadora.
De acordo com o portal Terra, o e-mail falso seria direcionado aos eleitores de Marina contendo um “pedido” da senadora para que haja união em torno da candidatura tucana.
Metrô: turma do Serra teve US$ 10 mi bloqueados na Suiça
Metrô: turma do Serra teve US$ 10 mi bloqueados na Suiça
Que rabo preso tem José Serra com estes escândalos, para não apurar e não afastar as pessoas? São perguntas inquietantes que a nação brasileira quer saber.
Publicada: 28/10/2010 – 01h02m|Fonte: Paulo Henrique Amorim|
- Essa é sua turma “Ficha Limpa”, Serra ?
O escândalo de corrupção na licitação do Metrô de São Paulo, de certa forma, era anunciado, para quem acompanha a escalada de abafamento e impunidade da corrupção tucana em São Paulo.
Em 2009, o ex-secretário estadual de transportes metropolitanos, Jorge Fagali Neto, teve uma conta na Suíça com pedido de bloqueio pela Justiça de São Paulo, devido ao rastreamento do dinheiro de propinas da Alstom, por contratos com o Metrô.
Até o Jornal Nacional, da TV Globo foi obrigado a noticiar o sequestro das contas, mas escondeu que o irmão do titular das contas é o atual presidente do Metrô, desde a gestão José Serra no governo paulista.
Por que José Serra abafou a corrupção no Metrô, no escândalo da Alstom?
Por que impediu que CPI’s na Assembléia Legislativa investigasse?
Por que não fez uma rigorosa auditoria no Metrô?
Um irmão de alguém com 10 milhões de dólares bloqueados na Suíça, vindos de propinas justamente dos contratos com o Metrô, não deveria ser considerado impedido eticamente, para dirigir a empresa? E sem condições para mandar investigar internamente um escândalo destes contra seu próprio irmão?
Que rabo preso tem José Serra com estes escândalos, para não apurar e não afastar as pessoas? São perguntas inquietantes que a nação brasileira quer saber.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Aniversário do Presidente
Presidente no dia do seu aniversário, nós gostaríamos de parabeniza-lo pelos 65 anos de tanta sabedoria. O sentimento de todos que lhe acompanham nestes últimos trinta anos é de júbilo, pois temos orgulho da nossa trajetória, temos a cabeça erguida, o Sr. fez toda uma geração se sentir vencedora no nosso país. Em todo Brasil, milhões de brasileiros irão elevar seus pensamentos desejando-lhe muita paz, muita saúde. Feliz Aniversário Presidente!
terça-feira, 26 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Hipocrisia na campanha eleitoral: “Ela é a favor de matar criancinhas”
Hipocrisia na campanha eleitoral: “Ela é a favor de matar criancinhas”
por Conceição Lemes
No dia 14 de setembro, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Monica Serra, acompanhada de Índio da Costa (DEM), vice de José Serra (PSDB), deu a senha da campanha sórdida, em pleno andamento, contra Dilma Rousseff (PT). A repórter Gabriela Moreira, da Agência Estado, testemunhou. O Estadão publicou:
A um eleitor evangélico, que citava Jesus Cristo como o “único homem que prestou no mundo” e que declarou voto em Dilma, a professora [Monica Serra] afirmou que a petista é a favor do aborto. “Ela é a favor de matar as criancinhas”, disse a mulher de Serra ao vendedor ambulante Edgar da Silva, de 73 anos.
Domingo passado, no debate realizado pela Band entre os dois presidenciáveis, Dilma jogou o esqueleto em cima da mesa. Cobrou de Serra as acusações de Monica a ela.
Serra não respondeu. Indignada, na segunda-feira às 10h24, Sheila Ribeiro postou em sua página na rede social Facebook uma reflexão com o título Respeitemos a dor de Monica Serra.
Meu nome é Sheila Ribeiro e trabalho como artista no Brasil. Sou bailarina e ex-estudante da Unicamp onde fui aluna de Monica Serra.
…
Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o aborto, sobre o seu aborto traumático. Monica Serra fez um aborto. Na época da ditadura, grávida de quatro meses, Monica Serra decidiu abortar, pois que seu marido estava exilado e todos vivíamos uma situação instável. Aqui está a prova de que o aborto é uma situação terrível, triste, para a mulher e para o casal, e por isso não deve ser crime, pois tantas são as situações complexas que levam uma mulher a passar por essa situação difícil. Ninguém gosta de fazer um aborto, assim como o casal Serra imagino não ter gostado. A educação sobre a contracepção deve ser máxima para que evitemos essa dor para a mulher e para o Estado.
O episódio aconteceu em 1992, 18 anos atrás. Sheila tinha 18 anos, fazia curso de Dança no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Monica Serra era então professora de Psicologia do Desenvolvimento Aplicada à Dança.
A revelação caiu como bomba na rede. A NovaE considerou boato de má fé, desqualificou-a (a matéria já foi tirada do ar).
O jornalista Gilberto de Souza, do Jornal Correio do Brasil, resolveu investigar. Conversou com a própria Sheila. Publicou a matéria aqui. Depois, ouviu mais três ex-alunas de Monica , que confirmaram o relato.
Neste sábado, a jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha de S. Paulo, dá a notícia: Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex-aluna. A assessoria de Monica Serra não respondeu à consulta da Folha. O mesmo fez a de Serra com o Correio do Brasil.
“DISCUSSÃO DE GENERO SEMPREESTEVE PRESENTE NA MINHA VIDA”
Seu nome completo é Sheila Canevacci (sobrenome do marido, o antropólogo Massimo Canevacci) Ribeiro. Profissionalmente, Sheila Ribeiro. Tem 37 anos. Morou 11 anos em Montreal, Canadá. Foi para lá depois de se formar na Unicamp. É coreógrafa e doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo.
Nos meios da dança, Sheila é conhecida e reconhecida, no Brasil e no exterior. Quem priva do seu convívio pessoal ou profissional, não se espantou com a atitude dela.
Márcio Seligmann-Silva, professor livre-docente de Teoria Literária da Unicamp, com pos-doutorado pelo Zentrum Für Literaturforschung Berlim, Alemanha, e pela Yale University,nos EUA, afirma:
“A indignação de Sheila com o debate biopolítico que pontua nosso cenário político atual é plenamente compreensível, mas sua coragem talvez tenha a ver com esta experiência de vida em um país democrático [Canadá], onde as pessoas podem se manifestar sem medo”.
Helena Katz, professora no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica e no Curso Comunicação das Artes do Corpo, na PUC-SP, comenta:
“Sheila Ribeiro está em cada um dos gestos que cria. O seu trabalho nos ajuda a identificar os danos que o discurso publicitário vem produzindo na sociedade e que não está somente na publicidade propriamente dita, mas que hoje pauta o modo como nos relacionamos e se materializa no nosso comportamento, na cidade, nos meios de comunicação. A potência da sua poética sempre crítica insufla, em cada um dos que entram em contato com as suas produções, a esperança de que um mundo melhor é possível”.
O coreógrafo Wagner Schwartz, do Rio de Janeiro, observa:
Sheila Ribeiro é mulher, cidadã, coreógrafa. Antes ter um cunho corajoso, o seu relato tem uma potência vital, porque não está relacionado ao tema da dualidade morte-e-vida, muito menos às questões partidárias. Como sempre, seja em suas práticas artísticas ou entre amigos, Sheila reafirma a necessidade de se pensar o lugar das classes menos favorecidas, independente da grande escala de forças contrárias às suas ações, porque sua finalidade é, sempre, investigar a causa, sua dor e a sua liberdade.
A artista e produtora Cândida Monte, de Curitiba (PR), enfatiza:
“Sheila Ribeiro é uma mulher que escolhe atuar, pessoal e profissionalmente, com sinceridade e transparência. Age sempre de forma observadora, pensadora e questionadora. Tem um enorme interesse em discutir e refletir. Seu pensamento artístico emerge disso. Volta sua atenção à cultura para além das considerações sobre a estética, pensando o indivíduo através da arte”.
Sheila é filha de Majô Ribeiro, militante feminista que foi aluna de mestrado de Eva Blay e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP. Foi candidata derrotada a vereadora e a vice-prefeita em Osasco pelo PSDB.
A mãe, segundo Sheila, pouco se pronunciou sobre o episódio: “Só disse que achou bom que eu fiz isso pela questão da descriminalização do aborto”.
“Discussão de gênero sempre faz parte da minha vida, daí a minha indignação”, disse-me numa primeira conversa, que tivemos na quarta-feira. “No primeiro turno, votei no Plínio [de Arruda Sampaio, do Psol]. No segundo, voto na Dilma.”
“EU NÃO ADMITO QUE A PRÓPRIA VÍTIMA SE ASSEMELHE AO SEU OPRESSOR”
Na segunda conversa, Sheila, que já havia se mostrado assertiva no primeiro contato, foi bastante firme. Divertida, atenta,interessada, não titubeou um instante:
“As pessoas acharam que eu era falsa [personagem fake, inventado], muitos me agrediram, muitos insinuaram que eu tinha ganhado dinheiro. Eu fico muito triste e brava com essas coisas”.
” O que eu posso garantir é que Monica nos contou que fez aborto. Havia muitas outras pessoas que sabem que não é mentira o que eu disse”.
“Quando eu vi o Serra se esquivando no debate, tive um troço, fiquei indignada e fiz uma reflexão sobre o que é ser uma pessoa na privacidade e o que é ser uma pessoa pública”.
“A minha primeira preocupação foi exercer a minha cidadania. Acharam que eu fiz isso porque eu vivi praticamente a minha vida inteira de adulta no Canadá, onde as pessoas falam abertamente sobre esses assuntos e outros assuntos complexos de se abordar. O que me interessa é a saúde pública”.
“Algumas pessoas me dizem que tive coragem, outras ficaram assustadas de eu falar diretamente. Pensei: sou anormal? Acho que o meu jeito é por causa do Canadá. Depois que eu me formei na Unicamp, morei 11 anos lá. A minha vida adulta e profissional, eu desenvolvi lá. Tenho dupla nacionalidade”
“No Canadá, o aborto é legalizado. Eu te contei das clínicas de ginecologia lá [os serviços de saúde são públicos] ? Você telefona, funciona assim. Bem-vinda à clínica da mulher. Para urgências, disque zero. Para consultas, disque 1. Para abortos, disque 2. Para exames, disque 3”.
“Um amigo disse: ‘E se a Monica e o Serra se converteram?’ Eu respondi. Vamos supor que a Monica e Serra se converteram à religião e se arrependeram do aborto que fizeram. Só que quando uma pessoa se arrepende perante Deus – o aborto é crime perante Deus –, eles fazem os seus Pai-Nossos, depois vão ser absolvidos e vão para o céu ou para o inferno. Quer dizer: é uma discussão religiosa”.
“ Se a pessoa é religiosa, ninguém a obriga a fazer o aborto. Muito bem. A pessoa pode ser religiosa, dizer eu sou contra o aborto em todos os níveis, eu nunca vou fazer o aborto, porque é um crime perante Deus. Ok. Só que você pode não misturar essa coisa crime perante Deus, porque no Estado laico não tem Deus. O Estado laico é um Estado”.
“ Quem é religioso, não é obrigado a fazer. Ponto. No Canadá, é visto como um problema de saúde pública”.
“As pessoas ficam me perguntando: você é a favor do aborto a partir de mês? Quem sou eu para dizer quando, em que mês, como não deve? Tem vários países em que o aborto é legalizado, o Brasil tem que aprender com eles. Ponto”.
“O que me chocou mais, mais, mais, é que o aborto é uma questão de todos. Até uma pessoa militante contra a descriminalização do aborto já fez aborto. Além da Monica, eu cito a Benedita da Silva (PT), que é contra a descriminação do aborto e também fez aborto”.
“Significa o quê? Olha a lógica da matemática. Se eu sou contra a descriminalização, acho o aborto um crime e faço o meu clandestino, eu deixo criar uma coisa perversa em mim que é o contrário absoluto da cidadania. Morrer não é só porque tomou Cytotet, colocou agulha de crochê. Morrer é também não poder exercer a sua cidadania. Daí a importância da descriminalização”.
“Não significa que você precisa ficar contando para todo mundo que fez aborto… colocar no jornal que fez aborto. Mas, se você precisar fazer, você sabe que não é uma criminosa. Você sabe que não está morrendo por dentro por ter cometido um crime”.
“Agora se você é uma religiosa e faz aborto, está cometendo um crime religioso. É um problema seu cultural, social, religioso. Isso é um problema da pessoa” .
“O que mais deixou indignada, portanto, é que até as militantes contra o aborto fazem aborto”.
“Outra coisa que me chocou foi que a Mônica Serra no debate virou uma carta do jogo, assim como o pré-sal, a Petrobras, a banda larga, privatização Então, diante de qualquer carta do jogo, o Serra não enfrentava, não dialogava…”.
“Para mim, todas eram cartas do jogo das quais ele ficava se esquivando. Mas eu fiquei mais sensível com a Monica Serra, porque eu a conheço. Na minha cabeça, misturou a relação da pessoa civil, que relatou ter feito aborto, e da pessoa simbólica, que estava ali fazendo campanha contra a descriminalização”.
“É como se eu estivesse no sofá e ouvisse alguém na televisão dizer que o Nelson Mandela é racista. Eu diria: como assim? O Nelson Mandela é negro, foi preso, lutou contra o apartheid… Tem alguma coisa errada. Aí eu escreveria um artigo: O que está acontecendo com o Nelson Mandela como pessoa pública. Ele mesmo é racista? Não é racista?
“A Monica Serra que existiu na minha realidade enquanto aluna é a Monica da família Allende, que fez aborto. A outra Monica Serra, que eu vi no debate, é uma citação do nome de uma pessoa, que era uma carta do jogo, uma Monica Serra simbólica, que virou uma carta do jogo. Só.”
“É uma tremenda contradição. Eu sou uma pessoa brasileira, como outras, que não tem medo de falar. Uma pessoa que foi lapidada em praça pública porque cometeu adultério não vai lutar para que isso exista. Afinal, ela foi vítima disso, concorda?”.
“Assim como eu disse no Facebook que nós devemos respeitar a Mônica Serra – evidentemente a figurativa, a metafórica –, está errado as pessoas gente se calarem. Eu como cidadã, mais ainda como ser humano, não admito que a professora que, traumatizada, falou para mim sobre a experiência do aborto que ela teve por causa da didatura– é super importante citar o contexto –, venha hoje não considerar a sua própria dor que ela me fez escutar”.
“Eu sou uma artista. Quando exibo alguma obra, a pessoa está perdendo o tempo dela para ver a minha proposta comunicacional. A Monica Serra usou a aula de psicologia do movimento para falar disso. Acho lindo. Não acho que é problema. A Universidade é para isso mesmo. É para falar de aborto, de questões complexas ligadas ao ser humano. Aquela humanidade que ela dividiu com a gente, inclusive me ensinou a levantar e a escrever sobre isso no dia seguinte ao debate. Foi o fato que falou por si só “.
“Eu não gosto de que qualquer mulher tenha de fazer aborto por causa de uma ditadura. Então, eu não admito que essa própria vítima se assemelhe ao opressor”.
“Sei que tem várias pessoas me condenando. Escreveram em um post: “Ai, com uma amiga dessas…” Para começar, eu não sou amiga da Monica Serra. Eu fui aluna dela. Eu gosto dela. Mas por mais que eu goste do meu marido, da minha mãe, dos meus irmãos, do meu vizinho, quando uma pessoa faz uma coisa que é eticamente contra os meus valores humanistas, eu vou me colocar contrária. Eu vou dizer. Tal pessoa, eu gosto muito de você, mas não concordo politicamente com o seu posicionamento. Só isso. Então para mim a última coisa que interessa nessa coisa, nessa história é a Monica Serra. É a última”.
