"Nossa fixação por títulos e hierarquia é parte do nossa herança portuguesa. As pessoas aqui querem ser vistas como diferentes, como superiores aos outros, e não gostam de se misturar"
Roberto DaMatta, antropólogo
![]() |
| Ingá: empresa que mais arrecada em Niterói - recebeu também desconto de 50% no ISS! |
![]() |
| Pendotiba: segunda empresa que mais lucra na cidade e presta péssimo serviço. Teve também redução de 50% no ISS! Um absurdo! |
Vera Paiva
Segue abaixo o discurso que Vera Paiva faria na cerimônia que sancionou a criação da Comissão da Verdade no último dia 18. Vera é filha do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar. O discurso acabou sendo cancelado, sob a alegação de que provocaria “constrangimento” aos militares presentes no ato.
Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011, 11:00. Palácio do Planalto, Brasília.
Excelentíssima Sra. Presidenta Dilma, querida ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário. Demais ministros presentes. Senhores representantes do Congresso Nacional, das Forças Armadas. Caríssimos ex-presos políticos e familiares de desaparecidos aqui presentes, tanto tempo nessa luta.
Agradecemos a honra, meu filho João Paiva Avelino e eu, filha e neto de Rubens Paiva, de estarmos aqui presenciando esse momento histórico e, dentre as centenas de famílias de mortos e desaparecidos, de milhares de adolescentes, mulheres e homens presos e torturados durante o regime militar, o privilégio de poder falar.
Ao enfrentar a verdade sobre esse período, ao impedir que violações contra direitos humanos de qualquer espécie permaneçam sob sigilo, estamos mais perto de enfrentar a herança que ainda assombra a vida cotidiana dos brasileiros. Não falo apenas do cotidiano das famílias marcadas pelo período de exceção. Incontáveis famílias ainda hoje, em 2011, sofrem em todo o Brasil com prisões arbitrárias, seqüestros, humilhação e a tortura. Sem advogado de defesa, sem fiança. Não é isso que está em todos os jornais e na televisão quase todo dia, denunciando, por exemplo, como se deturpa a retomada da cidadania nos morros do Rio de Janeiro? Inúmeros dados indicam que especialmente brasileiros mais pobres e mais pretos, ou interpretados como homossexuais, ainda são cotidianamente agredidos sem defesa nas ruas, ou são presos arbitrariamente, sem direito ao respeito, sem garantia de seus direitos mais básicos à não discriminação e a integridade física e moral que a Declaração dos Direitos Humanos consagrou na ONU depois dos horrores do nazismo em 1948.
Isso tudo continua acontecendo, Excelentíssima Presidenta. Continua acontecendo pela ação de pessoas que desrespeitam sua obrigação constitucional e perpetuam ações herdeiras do estado de exceção que vivemos de modo acirrado de 1964 a 1988.
O respeito aos direitos humanos, o respeito democrático à diferença de opiniões assim como a construção da paz se constrói todo dia e a cada geração! Todos, civis e militares, devemos compromissos com sua sustentação.
Nossa história familiar é uma entre tantas registradas em livros e exposições. Aqui em Brasília a exposição sobre o calvário de Frei Tito pode ser mais uma lição sobre o período que se deve investigar.
Em Março desse ano, na inauguração da exposição sobre meu pai no Congresso Nacional, ressaltei que há exatos 40 anos o tínhamos visto pela última vez. Rubens Paiva que foi um combativo líder estudantil na luta “Pelo Petróleo é Nosso”, depois engenheiro construtor de Brasília, depois deputado eleito pelo povo, cassado e exilado em 1964. Em 1971 era um bem sucedido engenheiro, democrata preocupado com o seu país e pai de 5 filhos. Foi preso em casa quando voltava da praia, feliz por ter jogado vôlei e poder almoçar com sua família em um feriado. Intimado, foi dirigindo seu carro, cujo recibo de entrega dias depois é a única prova de que foi preso. Minha mãe, dedicada mãe de família, foi presa no dia seguinte, com minha irmã de 15 anos. Ficaram dias no DOI-CODI, um dos cenário de horror naqueles tempos. Revi minha irmã com a alma partida e minha mãe esquálida. De quartel em quartel, gabinete em gabinete passou anos a fio tentando encontrá-lo, ou pelo menos ter noticias. Nenhuma noticia.
Apenas na inauguração da exposição em São Paulo, 40 anos depois, fizemos pela primeira vez um Memorial onde juntamos família e amigos para honrar sua memória. Descobrimos que a data em que cada um de nós decidiu que Rubens Paiva tinha morrido variava muito, meses e anos diferentes…Aceitar que ele tinha sido assassinado, era matá-lo mais uma vez.
Essa cicatriz fica menos dolorida hoje, diante de mais um passo para que nada disso se repita, para que o Brasil consolide sua democracia e um caminho para a paz.
Excelentíssima Presidenta: temos muitas coisas em comum, além das marcas na alma do período de exceção e de sermos mulheres, mãe, funcionária pública. Compartilhamos os direitos humanos como referência ética e para as políticas públicas para o Brasil. Também com 19 anos me envolvi com movimentos de jovens que queriam mudar o pais. Enquanto esperava essa cerimônia começar, preparando o que ia falar, lembrava de como essa mobilização começou. Na diretoria do recém fundado DCE-Livre da USP, Alexandre Vanucci Leme, um dos jovens colegas da USP sacrificados pela ditadura, ajudei a organizar a 1a mobilização nas ruas desde o AI-5, contra prisões arbitrárias de colegas presos e pela anistia aos presos políticos. Era maio de 1977 e até sermos parados pelas bombas do Coronel Erasmo Dias, andávamos pacificamente pelas ruas do centro distribuindo uma carta aberta a população cuja palavra de ordem era
HOJE, CONSENTE QUEM CALA.
Acho essa carta absolutamente adequada para expressar nosso desejo hoje, no ato que sanciona a Comissão da Verdade. Para esclarecer de fato o que aconteceu nos chamados anos de chumbo, quem calar consentirá, não é mesmo?
Se a Comissão da Verdade não tiver autonomia e soberania para investigar, e uma grande equipe que a auxilie em seu trabalho, estaremos consentindo. Consentindo, quero ressaltar, seremos cúmplices do sofrimento de milhares de famílias ainda afetadas por essa herança de horror que agora não está apoiada em leis de exceção, mas segue inquestionada nos fatos.
A nossa carta de 1977, publicada na primeira página do jornal o Estado de São Paulo no dia seguinte, expressava a indignação juvenil com a falta de democracia e justiça social, que seguem nos desafiando. O Brasil foi o último país a encerrar o período de escravidão, os recentes dados do IBGE confirmam que continuamos uma país rico, mas absurdamente desigual… Hoje somos o último país a, muito timidamente mas com esperança, começar a fazer o que outros países que viveram ditaduras no mesmo período fizeram. Somos cobrados pela ONU, pelos organismos internacionais e até pela Revista Economist, a avançar nesse processo. Todos concordam que re-estabelecer a verdade e preservar a memória não é revanchismo, que responsáveis pela barbárie sejam julgadas, com o direito a defesa que os presos políticos nunca tiveram, é fundamental para que os torturadores de hoje não se sintam impunes para impedir a paz e a justiça de todo dia. Chile e Argentina já o fizeram, a África do Sul deu um exemplo magnífico de como enfrentar a verdade e resgatar a memória. Para que anos de chumbo não se repitam, para que cada geração a valorize.
Termino insistindo que a DEMOCRACIA SE CONSTRÓI E RECONSTRÓI A CADA DIA. Deve ser valorizada e reconstruída a CADA GERAÇÃO.
E que hoje, quem cala, consente, mais uma vez.
Obrigada.
P.S: Depois de saber que fui impedida de falar, lembro de um texto de meu irmão Marcelo Paiva em sua coluna, dirigida aos militares:
“Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura (…) Por que não limpar a fama da corporação? Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.”
* Vera Paiva é filha do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar. É professora de psicologia na USP e coordenadora do Núcleo de Estudos para a Prevenção da Aids (NEPAIDS) da universidade.
Paulo Cabral
Enviado da BBC Brasil a Porto Seguro
O casal de aposentados Osmar e Maria Ferreira conseguiu realizar um sonho de longa data: pela primeira vez os dois viajaram em um avião a caminho de uma semana de descanso sob o sol de Porto Seguro, na Bahia.
As dez parcelas que eles ainda têm de pagar vão morder todo mês um bom pedaço da renda do pintor aposentado e dos lucros de Maria - que ainda trabalha em casa como manicure - mas eles têm a certeza que é dinheiro bem gasto.
Casal viajou de avião pela primeira vez, pagou a passagem em dez vezes e não tem medo de preconceito
"Comida não é a única coisa que precisamos para viver", diz Ferreira enquanto relaxa a beira-mar. "Isso é que é viver! Olha que beleza!"
À medida que a nova classe média chega a mais lugares e tem acesso a novos serviços, surgem, no entanto, tensões com a classe média tradicional brasileira, que parece sentir seu espaço sendo tomado.
Ao longo dos anos, a mistura de história e praias tropicais fez de Porto Seguro um dos principais destinos turísticos do Brasil.
Com a economia crescendo e o crédito em expansão, a "nova classe média" – ou classe C - tem pela primeira vez a oportunidade de desfrutar das maravilhas naturais do Brasil, que há não muito tempo eram privilégio de turistas estrangeiros ou brasileiros de maior renda.
Números do Instituto Data Popular - uma empresa de pesquisa de mercado especializada na classe C - mostram que entre 2002 e 2010 a participação desse grupo na indústria do turismo saltou de 18% para 34%. Eles já representam quase a metade (48%) das pessoas que viajam nas companhias aéreas do país.
Para Maria Ferreira, "é triste que exista esse preconceito".
"Espero que algum dia as pessoas comecem a compreender uns aos outros pelo que realmente somos. Eu conheço muitas pessoas ricas que não são felizes", diz.
Trancoso, mais sofisticada e cara que Porto Seguro, ainda é reduto das classes mais ricas.
Uma rápida travessia de balsa e a uma hora de carro ao sul de Porto Seguro fica a vila de Trancoso, bem mais exclusiva, graças à distância e aos preços mais altos. No entanto, mais gente está chegando e quem frequenta a região há mais tempo teme a invasão do turismo de massa.
"As pessoas que estão chegando agora a Trancoso têm que mostrar mais educação e mais respeito por este lugar. É um público muito diferente, que começou a vir aqui ao longo dos últimos anos", reclama a bombeira reformada Norma Sandes, que há mais de uma década frequenta a região.
O antropólogo brasileiro Roberto DaMatta, professor emérito da Universidade de Notre Dame (EUA), diz que o crescimento evidenciou a "resistência à igualdade" dos brasileiros.
"Nossa fixação por títulos e hierarquia é parte do nossa herança portuguesa. As pessoas aqui querem ser vistas como diferentes, como superiores aos outros, e não gostam de se misturar", diz ele.
Os turistas que vão para os grandes resorts em Porto Seguro costumam fazer apenas passeios de um dia em Trancoso - onde dormir e comer custa bem mais.
"Dá para ver que esse pessoal todo aqui hoje não é de classe A e B. Tem muita gente de classe C já vindo para cá," diz a jornalista Ana Campolino. “Dá para ver pelas roupas, pelos hábitos, pelo lugares que frequentam."
"Nossa fixação por títulos e hierarquia é parte do nossa herança portuguesa. As pessoas aqui querem ser vistas como diferentes, como superiores aos outros, e não gostam de se misturar"
Roberto DaMatta, antropólogo
Uma pesquisa realizada pelo Data Popular dá algumas noção do desconforto sentido pelas classes mais elevadas, que agora tem que compartilhar alguns espaços.
De acordo os números, 48,4% dos entrevistados disseram que "a qualidade dos serviços piorou, agora que eles são mais acessíveis" e 49,7% disseram que preferem lugares "com pessoas de mesmo nível social."
"Decidimos fazer essa pesquisa quando começamos a perceber as pessoas reclamando, por exemplo, sobre os aeroportos, que estão muito mais lotados agora. E nossas pesquisas têm mostrado que há uma resistência muito forte das classes superiores em aceitar os recém-chegados", diz o presidente do Data Popular, Renato Meirelles.
Meirelles diz que a tensão só será resolvida quando o Brasil estiver preparado para oferecer esses serviços com qualidade para todos os seus cidadãos. "Os aeroportos, por exemplo, estão lotados para todo mundo. Se houvesse bastante espaço para todos as tensões, começariam a desaparecer."
Classe C já forma grande parte dos turistas que visitam Porto Seguro, no sul da Bahia
Já os turistas de classe mais alta e empresários do setor negam a existência de qualquer "tensão" entre a velha e a nova classe média. Um porta-voz do Sindicato da Hotelaria de Porto Seguro e Região, Paulo Cesar Magalhães, diz que "há espaço para todos".
"Naturalmente os turistas vão para áreas que tenham a ver com seu perfil. Aqui no distrito-sede de Porto Seguro, onde há mais hotéis e restaurantes, há mais opções para as pessoas com um orçamento mais baixo. As praias mais distantes são as melhores opções para quem pode gastar mais dinheiro", diz ele.
Magalhães diz que, do ponto de vista das empresas, Porto Seguro não tem nada a reclamar sobre os novos clientes. "Para muitas pessoas este é um momento mágico, a primeira oportunidade de viajar pelo Brasil e toda esse deslumbramento acaba traduzido em gastos na nossa cidade", diz ele.
Se a economia do Brasil continuar a crescer a indústria do turismo deve seguir pelo mesmo caminho e com a nova classe média também viajando cada vez mais.
| |
POR MAHOMED SAIGG
Rio - Dificuldades para emitir o cartão, problemas para recarregar créditos, falhas no sistema de identificação do benefício. Esses são exemplos de obstáculos que restringem o funcionamento dos bilhetes únicos intermunicipal e carioca. A ‘Blitz do DIA’ acompanhou, por três dias, passageiros que tentavam utilizar os serviços do sistema e não conseguem acesso ao benefício.
Reféns da tecnologia, a maioria, no entanto, não tem como acessar a Internet. Confusos, os sites riobilheteunico.rj.gov.br (intermunicipal) e cartaoriocard.com.br (municipal e intermunicipal) prometem serviços que nem sempre conseguem ser finalizados.
As barreiras do sistema fazem passageiros terem que recorrer pessoalmente aos postos de atendimento do RioCard — como o do subsolo da Central do Brasil. Resultado: filas intermináveis obrigam usuários a perder até duas horas a procura de solução para seu problema. Muitas vezes, a busca é em vão.
Jeitinho como solução
A diarista Nazaré Belo, 52 anos, moradora de São Gonçalo, não conseguiu tirar novo cartão em seu nome depois que o dela simplesmente parou de funcionar. Isso porque o seu CPF já consta no sistema. “Não teve jeito. Por telefone, mandaram cancelar meu cartão para pedir um novo na Internet, mas não conseguimos. Tive que fazer um no nome do meu marido para eu usar”, contou Nazaré, que trabalha na Zona Sul do Rio. Com o benefício, sua economia diária é de R$ 8 e, por mês, pode passar de R$ 160.
Criado em fevereiro de 2010, o Bilhete Único intermunicipal dá acesso, por R$ 4,40, a duas viagens, uma em transporte intermunicipal e outra em municipal com embarques no período de duas horas e meia. Já o cartão municipal dá, desde novembro de 2010, direito a duas viagens dentro da cidade do Rio por R$ 2,50, o preço de uma passagem de ônibus.
Usuário fica duas horas na fila e não consegue comprar crédito do bilhete único
Quem consegue emitir o bilhete passa sufoco para recarregá-lo. “Fiquei duas horas na fila para me dizerem no caixa que não podia colocar créditos. Só se ele tivesse menos de R$ 30 de saldo. É ridículo. Se o cartão é meu, coloco crédito quando eu quiser”, esbravejou José Carlos Barbosa, 60, que mora em Nova Iguaçu e trabalha em Copacabana.
Cansada de ‘brigar’ com a Internet e com atendentes do RioCard para conseguir tirar o Bilhete Único de sua faxineira, a auxiliar de enfermagem Jaqueline Gonçalves, 34, jogou a toalha. Há dois meses compra cartões expressos, que não oferecem os mesmos benefícios. “Tive tanta dor de cabeça com a dificuldade de fazer o Bilhete Único pela Internet e nos postos, sempre cheios, que desisti”, contou Jaqueline, que gasta R$ 112 por mês com as passagens da funcionária, R$ 24 a mais do que pagaria com o Bilhete Único.
Sete dias úteis de espera por bilhete
Depois que seu cartão parou de funcionar, o técnico em refrigeração André Luiz da Costa, 43 anos, que mora em Duque de Caxias e trabalha na Tijuca, terá que esperar sete dias úteis para pegar o novo bilhete.
“Até lá, vou ter que pagar R$ 5,60 para chegar à Central de ônibus e mais R$ 2,50 só para ir ao trabalho na Tijuca. Sem contar as passagens extras que terei que pagar nos ônibus municipais”, indigna-se André Luiz. Seu prejuízo diário mínimo é de R$ 7,40. Em uma semana, ele vai gastar R$ 51,80 só na ida e volta para casa, além das viagens dentro do Rio em que também não consegue usar o Bilhete Único carioca.
Fetranspor explica queixas
Procurada por O DIA, a RioCard, empresa responsável pela gestão dos Bilhetes Únicos intermunicipal e carioca, alegou que “as filas observadas na Central do Brasil ocorrem apenas em alguns dias no final e no início de mês, devido a (procura de) usuários preocupados em fazer a recarga de seus vales”.
Em relação aos prejuízos provocados aos passageiros que têm o cartão danificado e são obrigados a esperar até uma semana para obter um novo, a RioCard informou que “o fornecimento de cartão substituto temporário não é uma obrigação legal. Mas uma cortesia ao cliente”.
Ao ser questionada sobre o número total de usuários dos dois benefícios em todo o estado, a Fetranpor não soube informar.
Publicada em 26/10/2011 às 08h31m
Daniela Kresch - Especial para O GloboTEL AVIV - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai aproveitar os próximos meses para se dedicar à sua atividade internacional. Ele só vai tirar os pés do acelerador de sua agenda de palestras no exterior quando começar a campanha eleitoral de 2012, à qual quer se dedicar como cabo eleitoral do PT. Foi o que afirmou Clara Ant, a ex-assessora da presidência e atual diretora do Instituto Lula, em visita a Israel nesta semana a convite da Câmara de Comércio e Indústria Israel-Brasil. Na noite de quarta-feira, Lula recebeu, no México, o prêmio Amalia Solórzano, oferecido a personalidades que se destacaram no trabalho pelo desenvolvimento do seu país.
LEIA MAIS : Ex-presidente Lula viaja ao redor do mundo para dar palestras com uma série de regalias
A arquiteta e fundadora do PT revelou que Lula tem, na fila, nada menos do que 50 oferecimentos de diplomas de doutor honoris causa de universidades pelo mundo, mas sua equipe não consegue encontrar tempo para responder a todos os convites. Desde que deixou o governo, o ex-presidente já recebeu sete diplomas e estuda, agora, aceitar o da Universidade Hebraica em Jerusalém - que fez o convite em março do ano passado, quando o ex-presidente visitou Israel.
Todos querem Lula, no mundo. Partidos políticos, governos, instituições, ONGs, universidades...
- Todos querem Lula, no mundo. Partidos políticos, governos, instituições, ONGs, universidades... Os pedidos de visitas e palestras são incontáveis. É impossível atender a todos. Temos mais convites do que na época em que ele era presidente e a equipe do instituto é menor do que a do governo - revelou Clara ao GLOBO, sem revelar o valor cobrado pelo ex-presidente por palestra, que estima-se chegar a US$ 150 mil.
- Jurei a mim mesma que nunca seria responsável pela agenda do Lula, mas é exatamente o que tenho feito agora - confessou, numa reclamação branda.
Segundo Clara Ant, o interesse mundial tem dois principais motivos. O primeiro é o fato de que Lula deixou o governo com 84% de aprovação depois de seu segundo mandato. "Isso é muito raro no mundo. Em geral, líderes tomam posse fortes e deixam o poder enfraquecidos, principalmente depois de oito anos no comando. Estão todos muito curiosos", afirmou.
O segundo motivo seria o crescimento econômico brasileiro e o comportamento do país durante a crise financeira mundial de 2008. Para Clara Ant, diversos países querem saber a receita brasileira de "combate à fome, pobreza, desigualdade social, desemprego, falta de oportunidades e moradia ao mesmo tempo em que lida com uma crise econômica internacional". Esse foi justamente o tema da palestra que ela deu em Tel Aviv para cerca de 60 empresários israelenses e brasileiros. O comércio entre os dois países aumentou 35% de 2009 a 2010 e hoje está estimado em US$ 1,8 bilhão.
Arquiteta se irrita com pergunta sobre gafe de ex-presidenteEm hebraico fluente, ensaiado durante os cinco dias de viagem ao país, a arquiteta nascida na Bolívia de família judia - que tem parentes em Israel e estudou arquitetura, na juventude, por dois anos no Instituto Technion, na cidade de Haifa - destrinchou passo a passo as medidas tomadas pelo governo Lula para conseguir que 28 milhões de brasileiros se elevassem a cima da linha de pobreza e 39 milhões subissem para a classe média.
- Criamos 15 milhões de novos empregos em oito anos de governo. E a presidente Dilma continua nesse viés. Desde que ela tomou posse, mais dois milhões de postos de trabalho foram criados - afirmou, entusiasmada.
A arquiteta só perdeu a calma quando foi perguntada sobre o mal-estar causado, durante a visita de Lula a Israel, pela recusa do ex-presidente em visitar a túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl, o que levou o ministro das Relações Exteriores do país, Avigdor Lieberman, a boicotar o pronunciamento do líder brasileiro no Knesset (o Parlamento local) e melindrou a comunidade brasileira e a imprensa local. A recusa foi encarada por alguns como desaprovação da ideologia sionista, que prega a existência de um Estado Judeu no Oriente Médio, até porque Lula aceitou visitar o túmulo do ex-presidente palestino Yasser Arafat, em Ramallah, na Cisjordânia.
- Foi só uma questão de coordenação de agendas entre nós e os diplomatas israelenses. Não se pode reclamar apenas disso e ignorar que Lula foi duas vezes a Israel, visitou o Museu do Holocausto, discursou no Congresso, foi recebido pelo primeiro-ministro e pelo presidente. Isso tudo é sinal de apoio ao país. Quem fez feio foi o Lieberman, que destratou Lula em sua visita - respondeu Clara Ant, visivelmente irritada.
DrRobert 27/10/2011 - 00h 00m
Eu acredito que o culto à personalidade é sempre danoso.
Este comentário é ofensivo ou inapropriado? Denuncie aqui
Lourdes Sampaio26/10/2011 - 22h 55m
Quanta frustração de pessoas q por serem vazias, sem conteúdo de qualidade a ser elogiado e q não suportam assistir o gráu de competência q o mundo dá a LULA. São o desfilar dessas frustrações e iras através de comentários q só comprovam o ser insignificante de quem comentou. Bons brasileiros ficam felizes por saber q apesar de críticas venenosas, nosso país cresceu na economia, na credibilidade e na melhor qualidade de vida do povo e q o mundo sabe distinguir essa guinada q demos.
Este comentário é ofensivo ou inapropriado? Denuncie aqui
Alfredo Alejo Garcia26/10/2011 - 21h 35m
Eu concordo com o titulo desta matéria, porque neste mundo tem bobo para tudo!
Este comentário é ofensivo ou inapropriado? Denuncie aqui
Schamlos 26/10/2011 - 20h 41m
Cade aquele bonezinho ridiculo, que pelo menos de servir para ele se aliviar quando estiver com dor de barriga ????kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkOu pra esconder a garrafa de pinga....kkkkk
Este comentário é ofensivo ou inapropriado? Denuncie aqui
Alemao55 26/10/2011 - 20h 30m
A MONOGRAFIA VAI SER DE COMO SE DESTILA UMA BOA PINGA DA CANA DE AÇUCAR....
Este comentário é ofensivo ou inapropriado? Denuncie aqui
RMRCosta1 26/10/2011 - 20h 28m
Lula parou de frequentar a escola na 4ª série primária e quando adulto deu expediente nos botequins de São Bernardo. Veja o circo de asneiras, anedotas e trapalhadas deixado pelo iletrado Lula no tempo que ele esteve fazendo espuma na presidência. Confira:http://www.youtube.com/watch?v=lX6pa1nCeFQ&feature=related
Este comentário é ofensivo ou inapropriado? Denuncie aqui
AIRDOG 26/10/2011 - 20h 13m
REALMENTE, OS QUE NÃO ENXERGAM, OUVEM, NÃO CONSEGUEM SE EXPRESSAR OU LOCOMOVER, É QUE SÃO DIGNOS DESTES DIPLOMAS QUANDO ESTUDAM E SE FORMAM.JAMAIS ESSE AÍ, QUE POSSUI TODAS AS FACULDADES MENTAIS E FÍSICAS E SE OMITIU DE CUMPRIR SUAS OBRIGAÇÕES COMO PRESIDENTE E TOMAR AS MEDIDAS CABÍVEIS CONTRA OS MILHARES DE LADRÕES EM SEU GOVERNO.DEVERIA RECEBER UM DIPLOMA DE PHD EM CIÊNCIA DA OMISSÃO!
Este comentário é ofensivo ou inapropriado? Denuncie aqui
AIRDOG 26/10/2011 - 20h 07m
VAMOS DE NOVO, POIS O CENSORSINHO, COMISSÁRIO DOS PETISTAS COMUNISTAS, CENSUROU:OS TOTÓS AQUI DE COPACABANA, TAMBÉM CONFERIRAM VÁRIOS DIPLOMAS HONORIS CAUSA PARA ELES, OS DEIXANDO PELAS CALÇADAS. BASTA ELE ESCOLHER!ESTES ESTRANGEIROS, CATEQUISADOS PELA PROPAGANDA DOS PETISTAS COMUNISTAS, ESTÃO DESLUMBRADOS, POIS NÃO SABEM NO QUE O GOVERNO DELE TRANSFORMOU ESTE INFELIZ PAÍS!DEVERIA RECEBER UM DIPLOMA HONORIS CAUSA DA UNIVERSIDADE DA ILHA DE ALCATRAZ, OU DA ILHA DO DIABO, NA GUIANA!
Este comentário é ofensivo ou inapropriado? Denuncie aqui
Schamlos 26/10/2011 - 19h 58m
Trata-se realmente de uma psicopatia...Alguem tem que dizer a esses senhor que um porco mesmo cheio de colares de perolas , continua sendo um porco......
Este comentário é ofensivo ou inapropriado? Denuncie aqui
SHAMELESS 26/10/2011 - 19h 32m
TEM UM "HONORIS" AQUI DA MINHA RUA PARA DAR PRA ELE...SÓ NÃO SEI QUANDO VAI SER A NOSSA VEZ DE ENTREGARMOS ESSE VALIOSÍSSIMO PREMIO...AGUARDAMOS ANSIOSOS POR ESTE MOMENTO...
LEIA MAIS : Ex-presidente Lula viaja ao redor do mundo para dar palestras com uma série de regalias
A arquiteta e fundadora do PT revelou que Lula tem, na fila, nada menos do que 50 oferecimentos de diplomas de doutor honoris causa de universidades pelo mundo, mas sua equipe não consegue encontrar tempo para responder a todos os convites. Desde que deixou o governo, o ex-presidente já recebeu sete diplomas e estuda, agora, aceitar o da Universidade Hebraica em Jerusalém - que fez o convite em março do ano passado, quando o ex-presidente visitou Israel.
Todos querem Lula, no mundo. Partidos políticos, governos, instituições, ONGs, universidades...
- Todos querem Lula, no mundo. Partidos políticos, governos, instituições, ONGs, universidades... Os pedidos de visitas e palestras são incontáveis. É impossível atender a todos. Temos mais convites do que na época em que ele era presidente e a equipe do instituto é menor do que a do governo - revelou Clara ao GLOBO, sem revelar o valor cobrado pelo ex-presidente por palestra, que estima-se chegar a US$ 150 mil.
- Jurei a mim mesma que nunca seria responsável pela agenda do Lula, mas é exatamente o que tenho feito agora - confessou, numa reclamação branda.
Segundo Clara Ant, o interesse mundial tem dois principais motivos. O primeiro é o fato de que Lula deixou o governo com 84% de aprovação depois de seu segundo mandato. "Isso é muito raro no mundo. Em geral, líderes tomam posse fortes e deixam o poder enfraquecidos, principalmente depois de oito anos no comando. Estão todos muito curiosos", afirmou.
O segundo motivo seria o crescimento econômico brasileiro e o comportamento do país durante a crise financeira mundial de 2008. Para Clara Ant, diversos países querem saber a receita brasileira de "combate à fome, pobreza, desigualdade social, desemprego, falta de oportunidades e moradia ao mesmo tempo em que lida com uma crise econômica internacional". Esse foi justamente o tema da palestra que ela deu em Tel Aviv para cerca de 60 empresários israelenses e brasileiros. O comércio entre os dois países aumentou 35% de 2009 a 2010 e hoje está estimado em US$ 1,8 bilhão.
Arquiteta se irrita com pergunta sobre gafe de ex-presidente
Em hebraico fluente, ensaiado durante os cinco dias de viagem ao país, a arquiteta nascida na Bolívia de família judia - que tem parentes em Israel e estudou arquitetura, na juventude, por dois anos no Instituto Technion, na cidade de Haifa - destrinchou passo a passo as medidas tomadas pelo governo Lula para conseguir que 28 milhões de brasileiros se elevassem a cima da linha de pobreza e 39 milhões subissem para a classe média.
- Criamos 15 milhões de novos empregos em oito anos de governo. E a presidente Dilma continua nesse viés. Desde que ela tomou posse, mais dois milhões de postos de trabalho foram criados - afirmou, entusiasmada.
A arquiteta só perdeu a calma quando foi perguntada sobre o mal-estar causado, durante a visita de Lula a Israel, pela recusa do ex-presidente em visitar a túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl, o que levou o ministro das Relações Exteriores do país, Avigdor Lieberman, a boicotar o pronunciamento do líder brasileiro no Knesset (o Parlamento local) e melindrou a comunidade brasileira e a imprensa local. A recusa foi encarada por alguns como desaprovação da ideologia sionista, que prega a existência de um Estado Judeu no Oriente Médio, até porque Lula aceitou visitar o túmulo do ex-presidente palestino Yasser Arafat, em Ramallah, na Cisjordânia.
- Foi só uma questão de coordenação de agendas entre nós e os diplomatas israelenses. Não se pode reclamar apenas disso e ignorar que Lula foi duas vezes a Israel, visitou o Museu do Holocausto, discursou no Congresso, foi recebido pelo primeiro-ministro e pelo presidente. Isso tudo é sinal de apoio ao país. Quem fez feio foi o Lieberman, que destratou Lula em sua visita - respondeu Clara Ant, visivelmente irritada.