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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Que PT queremos...



A partir de uma afirmação no 20º parágrafo no artigo de FHC, intitulado O papel da Oposição, quando escreveu: os partidos se transformaram em clubes congressuais, abandonando as ruas. Fiz quase que automaticamente uma reflexão sobre o nosso PT nos três níveis de atuação e o resultado não é muito confortante.

Como fundador deste partido, jamais o imaginei com um núcleo em cada esquina, mas o modelo atual , afastado da discussão dos principais temas do cotidiano, é impensável e lastimável. Numa rápida abordagem, lembrei-me que nos planos federal, estadual e municipal, nossa participação é quase uniforme.

Quando da discussão do novo Salário Mínimo e da sua futura regra de reposição, o companheiro Vicentinho foi injustamente vaiado por uma malta de pelegos, ao mesmo tempo que aplaudiam Caiado e Bolsonaro. Nós não desagravamos o companheiro e não nos posicionamos na defesa do mínimo. Nos temas da reforma política ou da questão do desarmamento até agora não discutimos.

É aqui no estado do Rio onde o nosso mutismo atinge o grau mais elevado, pois diversos atos do governador passaram desapercebidos da nossa crítica. O absurdo aumento de tarifas do Metro , o mais caro do País, dos ônibus em mais de 10% em quatro meses, a prorrogação do prazo de concessão da Supervia até 2048 e do Metrô até 2038 a despeito do péssimo serviço prestado por estas empresas , só comparável ao triste desempenho das barcas com as suas filas e passageiros na chuva. Como se não bastasse o governo estadual ainda autorizou a Barcas S/A a retirada das barcas na madrugada. E nós do PT, concordamos com isso? Claro que não.

E aí na contra mão da Copa e das Olimpíadas, o governador acaba de autorizar a venda do Complexo do Caio Martins, o estádio de futebol , a pista de atletismo, o ginásio de vólei e as piscinas . Nós concordamos com isso? Claro que não .

Também nos mantemos afastados da greve dos trabalhadores do porto do Açú em S.J. Da Barra, da eleição para reitor na UFRJ e do Sindicato dos Petroleiros. São assuntos importantes ? Claro que sim .

No plano municipal nossa atitude de “não contrariar o rei” é a mesma em vários municípios. No Rio , prenderam quase 800 pessoas durante o Carnaval, mesmo com a recusa da justiça em condenar os mijões da Prefeitura por atentado ao pudor desde 2010. De forma insana , o prefeito quer autorizar os blocos carnavalescos em 2012, apenas pelo Diário Oficial, na mesma nota em que manda prender artistas de rua, como o saxofonista da estação Carioca do Metro que toca no local desde 1981, e quer também acabar com o espaço Pátio Benjamin de Oliveira, na Praça Onze, destinado por lei orgânica , para receber os circos que passam pela cidade. E nós concordamos com isso ? Claro que não.

Em Niterói, a Presidenta Dilma foi derrotada por Marina , onde o Partido Verde, se quer tem uma sede ou um único vereador . Lá o Prefeito do PDT, que nós estamos apoiando, arrebenta com as vítimas do Morro do Bumba, a PM jogando gás de pimenta nas crianças. Também vai privatizar a CLIN (Companhia de limpeza) e a Companhia Águas de Niterói, outra empresa da Prefeitura, responsável pelo rompimento da estação de tratamento de esgoto, numa autêntica tsunami de cinco milhões de litros de fezes e urina que se espalharam por um bairro inteiro.

Qual será a nossa posição ? Estamos com as famílias do Bumba, com os operários da ClIN?

Com todos estes fatos , o nível de discussão dentro do PT é zero ou muito próximo disso. O PT se tornou o maior partido das Américas confrontando ideias. O PT é o partido mais votado do país, por ter sempre posições muito claras .

Mas o partido não é uma franchising onde os detentores de mandatos e direção , podem fazer o que querem como se administrassem as suas franquias. .

Precisamos urgentemente implementar uma fonte de informações atuai e seguras, um jornal, páginas na internet atualizadas, uma banca de debates sobre os temas mais relevantes. O PT tem projeto, estratégia e tática e não é qualquer partido, não pode se descaracterizar. A atual corrida em direção aos cargos de vice, nas próximas eleições , enfraquece o PT. Somos o partido com a maior credibilidade junto a sociedade, só precisamos abrir a discussão e horizontalizar o debate. Arejar o PT !




quinta-feira, 7 de abril de 2011

PT para onde vamos ?

PT para onde vamos ?

O PT mudou radicalmente a sua forma de atuar junto a militância e o público em geral.No passado , poderíamos acompanhar uma greve como a Fiat de Xerém por semanas até meses. Hoje o partido adota um certo pragmatismo nas suas ações. Como exemplo recente, temos a aprovação do novo S. Mínimo, quando Vicentinho, foi apupado em plena Câmara Federal por “lideranças “sindicais, as mesmas que ao mesmo tempo, aplaudiram Bolsonaro e Caiado. Nós ficamos paralisados e não defendemos a primeira iniciativa concreta de proteger e recompor o valor do S. Mínimo, desde 1938.

Neste abril, completou um ano da tragédia do Morro do Bumba, com o nosso PT de Niterói envolvido diretamente nas barbaridades feitas contra mais de 3 mil famílias , hoje sem teto, pela Prefeitura de Niterói.

Assistimos no transporte do estado todo tipo de agressão contra o trabalhador. Aumentos de tarifa de R$ 0,05 no ônibus, durante a implantação do bilhete único, sem qualquer justificativa, outro reajuste da tarifa já prometido para R$2,60 nos próximos dias e na mesma direção do Metro, o mais caro do Brasil, as barcas , que além das filas e passageiros na chuva, retira as barcas na madrugada. Já não bastasse a Supervia , com seus seguranças chicotiando o trabalhador, trem andando sem maquinista e todos os dias deixando os passageiros na mão devido as sucessivas panes nos seus trens. Contraditoriamente, o governador Sérgio Cabral, optou pela prorrogação do prazo de concessão da Supervia até 2048 e do Metrô até 2038. E nós do PT, nenhuma linha, nenhuma palavra na defesa do povo.

Além do governo estadual, participamos de várias Prefeituras , umas que na 4ª feira de cinzas, fazem autocrítica que os banheiros para o carnaval não foram suficientes, mas mesmo assim prenderam indiscriminadamente 777 pessoas por urinarem na via pública. E os Blocos carnavalescos doravante só autorizados pelo Diário Oficial, coisa que nem a Ditadura se atreveu a tanto . Artistas de rua ainda são presos em plena via pública. E assim bancamos também desgastes na saúde, na educação, com paulada e gás de pimenta no povo.

Neste momento a Light privatizada faz da cidade do Rio de Janeiro um estouro, o Prefeito já sem o seu tamborim, troca os métodos de controle da dengue que afeta a cidade para esconder os números reais e mais uma vez estamos em silêncio. Sem querer pegar carona em Realengo, há quanto tempo o SEPE denuncia a violência nas escolas ?

Assim, o Partido dos Trabalhadores, adotou um novo comportamento diante destes desconfortos. É raro um pronunciamento nosso que contrarie uma autoridade pública. O Partido optou por fazer a política do atacado. Se tem obras do PAC, estaremos presente no lançamento da pedra fundamental, nas inaugurações, na foto, mas dificilmente numa greve como ocorreu a pouco no Porto do Açu em S.João da Barra.

Mudamos também nosso comportamento para as nossas táticas eleitorais nos pleitos futuros. Como se a eleição da Presidenta Dilma por si só nos bastasse, só se ouvi conversas para vice. Claro que como bom flamenguista, questiono totalmente esta postura “vascaína “ de deixar de ser protagonista para ser coadjuvante. É Vice-governador pra cá, é vice – prefeito pra lá.

- No entanto, podemos trilhar outros caminhos, como recompor as bases abrindo a discussão plena, ampla e objetiva no interior do partido sobre os rumos do PT;

- Melhorar a divulgação dos créditos das iniciativas do Governo Federal, que são matreiramente escondidos e sonegados por Prefeitos e até pelo Governador nas suas propagandas de governo;

- Pressionar pela melhoria do nível das alianças, tanto a estadual como as municipais, que não acontecem no mesmo grau de importância em que ela se dá no nível federal com estes mesmos partidos, pois a desculpa de que não temos votos suficientes nesta ou naquela cidade ou estado, se aplica também para os nossos aliados que também nunca conseguiram eleger um Presidente ;

- Produzir um jornal para o partido, que seja vendido por assinatura aos seus militantes, mas que seja regular e completo com todas as correntes de pensamento do PT;

- Que instalemos uma comissão , para que datas como , 10 de fevereiro ( aniversário do PT), 8 de março (dia das mulheres),1º de janeiro (um ano do governo Dilma) entre outras, não passem desapercebidas

- Por último, colocar o PT na rua, prestando contas, junto ao povo, nas grandes e pequenas cidades, ouvindo , participando, como era no início dos tempos.

PARTIDO É DOS TRABALHADORES !

Abr/11.C.Sá

segunda-feira, 20 de setembro de 2010