Lula diz que artigo de César Benjamin é loucura
Publicado em 27/11/2009 por Ana Helena Tavares
Citado no artigo, Paulo de Tarso negou a veracidade do relato: “Não dá pra entender o que deu na cabeça desse menino (César Benjamin)”.
Por Larissa Borges, direto de Brasília, para o site Terra
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “loucura” o episódio narrado em um artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo segundo o qual ele próprio, quando esteve preso em 1980, teria tentado estuprar um colega de cela. Lula, que tomou conhecimento na manhã desta quinta-feira das declarações do autor do artigo, César Benjamin, está, conforme explicou seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, “triste, abatido e sem entender” o motivo do ataque.
“Isso é uma coisa de psicopata. Para nós é uma coisa que só pode ser explicada pela psicopatia. O presidente está triste e falou que isso é uma loucura”, disse Carvalho, ressaltando que não existe intenção de processar Benjamin, que foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).
“Não vamos dar a mínima importância (ao episódio). Vamos nos sujar se fizermos isso. Quando a coisa é séria a gente reage. Quando não é (ignoramos)”, disse.
O artigo de Benjamin, que militou no movimento estudantil, afirma que Lula disse ter tentado “subjugar” um colega de cela quando ficou preso por cerca de um mês. O texto narra uma conversa que o autor diz ter tido com o então candidato à Presidência da República, em 1994.
Benjamin afirma que Lula perguntou quanto tempo teria ficado preso durante a ditadura militar. Surpreendido com a resposta de que o autor passou “alguns anos na prisão”, o presidente teria dito: “Eu não aguentaria. Não vivo sem b…”.
Segundo o artigo, a vítima era conhecida por “menino do MEP”, em referência a uma extinta organização de esquerda. Benjamin afirma que Lula teria ficado surpreso com a resistência do menino, “que frustrara a investida com cotoveladas e socos”. Segundo o autor do artigo, estavam na mesa da conversa o publicitário Paulo de Tarso e o segurança de Lula.
De acordo com Gilberto Carvalho, ele próprio conversou com o empresário Paulo de Tarso, que negou a veracidade do episódio. “Falei com o Paulo de Tarso, e ele disse que não dá pra entender o que deu na cabeça desse menino (César Benjamin)”.
Fonte: Quem tem medo do Lula
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
O Repúdio 3
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009, 14:52 Online
TV vai rever condição de autor de artigo sobre Lula
EVANDRO FADEL - Agencia Estado
CURITIBA - A direção da Rádio e Televisão Educativa do Paraná (RTVE) pretende rever a situação do cientista político, economista e editor carioca Cesar Benjamin, como comentarista da emissora. "No momento ele está desacreditado", justificou o diretor-presidente da estatal, Marcos Batista. Em artigo publicado sexta-feira no jornal "Folha de S.Paulo", Benjamin reproduz suposto diálogo que teria tido em 1994 com o então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, em que o atual presidente da República teria dito que tentara "subjugar" sexualmente um colega de cela, quando estava preso em 1980.Uma possível exoneração de Benjamin ainda não chegou a ser cogitada, mesmo porque Batista disse não ter tido condições de conversar com o funcionário até agora. "Parece que caiu o mundo na cabeça dele", afirmou. O ex-militante petista vive no Rio de Janeiro, onde grava seus comentários, e eventualmente aparece em Curitiba, normalmente para participar como palestrante de eventos organizados pelo governo do Estado, como o seminário sobre pré-sal, no dia 22 de outubro.Batista destacou que o texto de Benjamin "não tem nenhum aval na televisão". "Na televisão, ele é um sujeito com visão crítica das coisas do governo e de integração latino-americana", ressaltou. A reportagem tentou contato com Benjamin por meio da editora Contraponto, no Rio, mas não houve resposta.O governo do Estado condenou a manifestação de Benjamin. "O governo manifesta forte indignação com o texto do funcionário da TV Educativa, considerando a publicação do artigo, ainda mais em um jornal claramente de oposição ao governo federal, uma atitude injustificada, absurda, fora de qualquer propósito, e parece que a serviço de uma determinada corrente político eleitoral", disse o secretário da Comunicação, Benedito Pires.
TV vai rever condição de autor de artigo sobre Lula
EVANDRO FADEL - Agencia Estado
CURITIBA - A direção da Rádio e Televisão Educativa do Paraná (RTVE) pretende rever a situação do cientista político, economista e editor carioca Cesar Benjamin, como comentarista da emissora. "No momento ele está desacreditado", justificou o diretor-presidente da estatal, Marcos Batista. Em artigo publicado sexta-feira no jornal "Folha de S.Paulo", Benjamin reproduz suposto diálogo que teria tido em 1994 com o então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, em que o atual presidente da República teria dito que tentara "subjugar" sexualmente um colega de cela, quando estava preso em 1980.Uma possível exoneração de Benjamin ainda não chegou a ser cogitada, mesmo porque Batista disse não ter tido condições de conversar com o funcionário até agora. "Parece que caiu o mundo na cabeça dele", afirmou. O ex-militante petista vive no Rio de Janeiro, onde grava seus comentários, e eventualmente aparece em Curitiba, normalmente para participar como palestrante de eventos organizados pelo governo do Estado, como o seminário sobre pré-sal, no dia 22 de outubro.Batista destacou que o texto de Benjamin "não tem nenhum aval na televisão". "Na televisão, ele é um sujeito com visão crítica das coisas do governo e de integração latino-americana", ressaltou. A reportagem tentou contato com Benjamin por meio da editora Contraponto, no Rio, mas não houve resposta.O governo do Estado condenou a manifestação de Benjamin. "O governo manifesta forte indignação com o texto do funcionário da TV Educativa, considerando a publicação do artigo, ainda mais em um jornal claramente de oposição ao governo federal, uma atitude injustificada, absurda, fora de qualquer propósito, e parece que a serviço de uma determinada corrente político eleitoral", disse o secretário da Comunicação, Benedito Pires.
O repúdio 2
Mídia
1 de Dezembro de 2009 - 14h54
Difamado, ex-preso diz que artigo de César Benjamin é “um horror”
O eletricista João Batista dos Santos, ex-militante do MEP (Movimento pela Emancipação do Proletariado) e um dos homens que estiveram presos com o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva em 1980, durante a ditadura militar (1964-1985), chamou de “um horror” o artigo do colunista César Benjamin, publicado pela Folha de S.Paulo na semana passada. Segundo Benjamin, Lula teria dito que tentou subjugar o “menino do MEP” quando foram companheiros de cela.Procurado pela Folha no final da noite de domingo, em sua casa, em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, Santos recusou dar entrevista formal ou ser fotografado. “Não tenho nada para comentar sobre o assunto”, disse, a princípio.Posteriormente, o ex-militante contou sua história. Disse que se tornou metalúrgico em São Bernardo (ABC paulista). Na década de 1970, teve contato com o MEP, organização de esquerda que lutou contra a ditadura e, mais tarde, disse que ajudou a fundar o PT.Sua função no MEP era "fazer a conscientização política" de trabalhadores em algumas fábricas da cidade.Além dos 30 dias de prisão em 1980, disse que já havia passado um período de dois dias preso no Dops, em 1978. Quando deixou a prisão pela segunda vez, mudou-se para São José dos Campos e foi "cuidar da vida." Militou ativamente pelo PT e, em 1983, ajudou a eleger um dos 14 irmãos, Braz Cândido Santos, hoje com 62 anos, vereador na cidade. Em 2003, obteve a anistia e, há cerca de um ano e dez meses, mudou-se para o litoral.Ainda filiado ao PT, mas sem militância, Santos soube do artigo de Benjamin no dia seguinte à sua publicação, quando passou a receber telefonemas de jornalistas e antigos companheiros. Segundo ele, a situação foi "constrangedora".Santos disse que não conhece Benjamin e afirmou acreditar que Lula "deve estar chateado" com o relato feito pelo colunista no artigo. Também falou que voltou a encontrar o ex-companheiro de cela apenas uma outra vez, antes da vitória nas eleições de 2002, mas não soube precisar a data. Para Santos, o jornal deveria tê-lo procurado antes da publicação do artigo.Santos conta ainda que conheceu o ex-publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, morto em 2007, quando prestou serviços em uma granja mantida pela família em São José dos Campos, na década de 1990. Segundo ele, nas conversas entre os dois, o publisher elogiava Lula e se mostrava simpático a um governo do petista. Já os herdeiros de Frias, diz Santos, “não seguem o exemplo do pai”. Segundo Santos, se o publisher ainda estivesse no controle do jornal, "este artigo não teria sido publicado".A mulher de Santos, Márcia Cristina Muniz — que nunca tinha ouvido relatos sobre uma possível tentativa de abuso na prisão — chamou o artigo de “baixaria”. Ela disse temer que os filhos, em idade escolar, possam ser vítimas de chacotas por parte dos colegas.
Fonte: Portal Vermelho
1 de Dezembro de 2009 - 14h54
Difamado, ex-preso diz que artigo de César Benjamin é “um horror”
O eletricista João Batista dos Santos, ex-militante do MEP (Movimento pela Emancipação do Proletariado) e um dos homens que estiveram presos com o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva em 1980, durante a ditadura militar (1964-1985), chamou de “um horror” o artigo do colunista César Benjamin, publicado pela Folha de S.Paulo na semana passada. Segundo Benjamin, Lula teria dito que tentou subjugar o “menino do MEP” quando foram companheiros de cela.Procurado pela Folha no final da noite de domingo, em sua casa, em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, Santos recusou dar entrevista formal ou ser fotografado. “Não tenho nada para comentar sobre o assunto”, disse, a princípio.Posteriormente, o ex-militante contou sua história. Disse que se tornou metalúrgico em São Bernardo (ABC paulista). Na década de 1970, teve contato com o MEP, organização de esquerda que lutou contra a ditadura e, mais tarde, disse que ajudou a fundar o PT.Sua função no MEP era "fazer a conscientização política" de trabalhadores em algumas fábricas da cidade.Além dos 30 dias de prisão em 1980, disse que já havia passado um período de dois dias preso no Dops, em 1978. Quando deixou a prisão pela segunda vez, mudou-se para São José dos Campos e foi "cuidar da vida." Militou ativamente pelo PT e, em 1983, ajudou a eleger um dos 14 irmãos, Braz Cândido Santos, hoje com 62 anos, vereador na cidade. Em 2003, obteve a anistia e, há cerca de um ano e dez meses, mudou-se para o litoral.Ainda filiado ao PT, mas sem militância, Santos soube do artigo de Benjamin no dia seguinte à sua publicação, quando passou a receber telefonemas de jornalistas e antigos companheiros. Segundo ele, a situação foi "constrangedora".Santos disse que não conhece Benjamin e afirmou acreditar que Lula "deve estar chateado" com o relato feito pelo colunista no artigo. Também falou que voltou a encontrar o ex-companheiro de cela apenas uma outra vez, antes da vitória nas eleições de 2002, mas não soube precisar a data. Para Santos, o jornal deveria tê-lo procurado antes da publicação do artigo.Santos conta ainda que conheceu o ex-publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, morto em 2007, quando prestou serviços em uma granja mantida pela família em São José dos Campos, na década de 1990. Segundo ele, nas conversas entre os dois, o publisher elogiava Lula e se mostrava simpático a um governo do petista. Já os herdeiros de Frias, diz Santos, “não seguem o exemplo do pai”. Segundo Santos, se o publisher ainda estivesse no controle do jornal, "este artigo não teria sido publicado".A mulher de Santos, Márcia Cristina Muniz — que nunca tinha ouvido relatos sobre uma possível tentativa de abuso na prisão — chamou o artigo de “baixaria”. Ela disse temer que os filhos, em idade escolar, possam ser vítimas de chacotas por parte dos colegas.
Fonte: Portal Vermelho
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O Repúdio
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-->
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-->FSP volta a César Benjamin
Publicado em 02-Dez-2009
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-->Ao voltar ao tema César Benjamin Queiroz...
Ao voltar ao tema César Benjamin Queiroz, publicando novo artigo do editor e ex-militante petista, a Folha de S.Paulo apenas confirma sua natureza falsa e hipócrita. Quer aparentar ser democrática e estar fazendo o melhor jornalismo, mas só comprova, junto com o autor, a prática de uma infâmia.Por sua vez, ao retomar o assunto, César Benjamin Queiroz mostra sua pequenez. No texto de hoje, ele deixa claro que escreveu por ser contra o filme "Lula, o filho do Brasil" e tudo o que envolve sua produção e distribuição. Se era isso porque não disse no artigo anterior? Lógico que é uma desculpa esfarrapada de alguém que, como ele mesmo diz, está totalmente imolado.O pior é a Folha, na sua postura cínica e hipócrita, fingir ser democrática e estar fazendo jornalismo, quando na verdade o que fez e faz nesse caso é lixo. Agora tenta justificar a ignomínia, procurando dar-lhe um conteúdo político e ares de grandeza humana - e até mesmo coragem - quando o que fez não passa de covardia, já que o jornal não ouviu as partes antes de publicar o primeiro artigo.Desmoralização do jornal
Se o tivesse feito, não teria publicado - nem o anterior, nem o de hoje - porque como jornal, ouvida a outra parte, estaria desmoralizado ao veicular material dessa natureza.O fato, gravíssimo, só comprova a necessidade de uma legislação para que sejam garantidos os preceitos constitucionais do respeito aos direitos de resposta, imagem e preservação da honra, hoje totalmente desprotegidos. Mostra, portanto, a urgente necessidade de uma legislação que regule e fiscalize a mídia, à semelhança do que existe em todos os países democráticos.É preciso que a mídia responda civil e criminalmente por seus atos. Não pode continuar a viver na impunidade. Fora o uso e abuso que faz do seu poder de monopólio que, de fato, detem e exerce hoje, usando a liberdade de imprensa como biombo, mas com objetivos nitidamente político-partidários e eleitorais, quando não inconstitucionais e antidemocráticos.
Fonte: Blog do Zé
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-->FSP volta a César Benjamin
Publicado em 02-Dez-2009
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-->Ao voltar ao tema César Benjamin Queiroz...
Ao voltar ao tema César Benjamin Queiroz, publicando novo artigo do editor e ex-militante petista, a Folha de S.Paulo apenas confirma sua natureza falsa e hipócrita. Quer aparentar ser democrática e estar fazendo o melhor jornalismo, mas só comprova, junto com o autor, a prática de uma infâmia.Por sua vez, ao retomar o assunto, César Benjamin Queiroz mostra sua pequenez. No texto de hoje, ele deixa claro que escreveu por ser contra o filme "Lula, o filho do Brasil" e tudo o que envolve sua produção e distribuição. Se era isso porque não disse no artigo anterior? Lógico que é uma desculpa esfarrapada de alguém que, como ele mesmo diz, está totalmente imolado.O pior é a Folha, na sua postura cínica e hipócrita, fingir ser democrática e estar fazendo jornalismo, quando na verdade o que fez e faz nesse caso é lixo. Agora tenta justificar a ignomínia, procurando dar-lhe um conteúdo político e ares de grandeza humana - e até mesmo coragem - quando o que fez não passa de covardia, já que o jornal não ouviu as partes antes de publicar o primeiro artigo.Desmoralização do jornal
Se o tivesse feito, não teria publicado - nem o anterior, nem o de hoje - porque como jornal, ouvida a outra parte, estaria desmoralizado ao veicular material dessa natureza.O fato, gravíssimo, só comprova a necessidade de uma legislação para que sejam garantidos os preceitos constitucionais do respeito aos direitos de resposta, imagem e preservação da honra, hoje totalmente desprotegidos. Mostra, portanto, a urgente necessidade de uma legislação que regule e fiscalize a mídia, à semelhança do que existe em todos os países democráticos.É preciso que a mídia responda civil e criminalmente por seus atos. Não pode continuar a viver na impunidade. Fora o uso e abuso que faz do seu poder de monopólio que, de fato, detem e exerce hoje, usando a liberdade de imprensa como biombo, mas com objetivos nitidamente político-partidários e eleitorais, quando não inconstitucionais e antidemocráticos.
Fonte: Blog do Zé
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Sábado, 28 de novembro de 2009, 09h10 Atualizada às 10h24
Artigo de César Benjamin na Folha de S. Paulo
Artigo de César Benjamin publicado na sexta-feira, 27/11, na Folha de S. Paulo e, desde então, republicado em blogs e páginas de Twitter por toda a web:
Os filhos do Brasil
César Benjamin
A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de "boi"; a única água disponível era a da descarga do "boi". Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.
Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.
Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que "estavam pedidos" pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: "O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal".
Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.
Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes - "sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio", para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.
Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, "de alta periculosia", como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.
Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de "provas de fogo", situações armadas para testar a firmeza de cada novato.
Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a "língua de congo", o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.
Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.
Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.
Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.
Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é "sujeito-homem" e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.
Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.
Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.
São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.
Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.
Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.
Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.
O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.
Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal "O Dia". A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.
Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.
Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: "Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!" Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.
A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o "menino do MEP". Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.
O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.
Mesmo assim, não pretendo assistir a "O Filho do Brasil", que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.
CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.
Terra Magazine
Sábado, 28 de novembro de 2009, 09h10 Atualizada às 10h24
Artigo de César Benjamin na Folha de S. Paulo
Artigo de César Benjamin publicado na sexta-feira, 27/11, na Folha de S. Paulo e, desde então, republicado em blogs e páginas de Twitter por toda a web:
Os filhos do Brasil
César Benjamin
A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de "boi"; a única água disponível era a da descarga do "boi". Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.
Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.
Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que "estavam pedidos" pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: "O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal".
Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.
Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes - "sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio", para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.
Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, "de alta periculosia", como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.
Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de "provas de fogo", situações armadas para testar a firmeza de cada novato.
Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a "língua de congo", o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.
Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.
Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.
Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.
Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é "sujeito-homem" e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.
Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.
Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.
São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.
Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.
Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.
Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.
O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.
Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal "O Dia". A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.
Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.
Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: "Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!" Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.
A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o "menino do MEP". Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.
O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.
Mesmo assim, não pretendo assistir a "O Filho do Brasil", que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.
CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Entrevista de J.E. Dutra, o novo Presidente do PT
Publicado no Estadão
Domingo, 29 de Novembro de 2009
''Em toda eleição há risco de caixa 2''
Com a missão de comandar o PT na campanha de Dilma, Dutra diz que atual modelo induz a práticas ilegais
Vera Rosa
Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")
O novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, admite que há risco de caixa 2 nas eleições de 2010, em todos os partidos. Sob a alegação de que o modelo de financiamento eleitoral no Brasil está "absolutamente esgotado", ele afirma que o atual sistema é "indutor" de ações irregulares e ilegais."Em toda eleição há risco de você ter desvios, caixa 2. É inerente ao modelo", constata Dutra, que vai coordenar a campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Para ele, que é ex-senador, a única saída é o financiamento público de campanha. "Fora disso, a gente vai continuar nessa relação hipócrita", emenda, ao pregar que candidatos à Câmara e ao Senado adotem a reforma política como bandeira.Ex-presidente da BR Distribuidora e da Petrobrás, Dutra foi eleito para comandar o PT pela chapa da corrente Construindo um Novo Brasil, que abriga nomes envolvidos no escândalo do mensalão.
Ele defendeu a volta do ex-ministro José Dirceu à cúpula do PT, disse que o partido aprendeu com erros, mas negou que o mensalão tenha sido uma prática para comprar apoio ao governo no Congresso, circunscrevendo a crise ao caixa 2.O sr. foi eleito presidente do PT pela corrente Construindo um Novo Brasil , que abriga o ex-ministro José Dirceu e outros citados no escândalo do mensalão. A leitura não é a de que nada mudou no PT?Os companheiros José Dirceu, José Genoino e João Paulo são importantes no nosso partido e estão no pleno gozo de seus direitos partidários. Não tenho nenhum constrangimento em compor com eles a chapa. O episódio de 2005 trouxe lições para o partido.Que lições?A partir dali, nós elaboramos um Código de Ética bastante rigoroso e temos a obrigação de fazer com que não seja simplesmente um papel escrito.O sr. não teme ficar com a pecha de abrigar mensaleiros?Eu repudio a adjetivação de mensaleiros para os deputados do PT. A justificativa que eles apresentaram foi relacionada a um outro problema, que é real, mas vai ter de ser resolvido através da reforma política: o financiamento de campanha através de caixa 2.
O sr. já disse que o mensalão foi um erro e não passou de uma grife. Mas agora o presidente Lula afirmou que foi um golpe contra o governo...O fato da existência de caixa 2 é notório e comprovado, mas a forma com que se tentou conduzir o processo foi uma tentativa de inviabilizar o governo.Mas não foi só caixa 2. Houve desvio de recursos públicos...Não ficou comprovada nenhuma ação de governo nesse episódio. Se a lógica era que o mensalão servia para votar a favor do governo, como surgem ali deputados que não votavam, como o então presidente da Câmara, João Paulo, e o líder do próprio governo, Professor Luizinho? Agora, tinha um deputado do PFL, o Roberto Brant, que também recebeu dinheiro do Banco Rural. Por que esse episódio sumiu e não é citado na peça da procuradoria? Porque contribui para desmontar a tese de que o dinheiro era para votar a favor do governo.O ex-ministro Dirceu faz uma espécie de direção paralela do PT, dando orientações ao partido por meio de seu blog. Não o incomoda o fato de ele voltar ao Diretório do PT?Muito pelo contrário. Eu defendo que o Zé Dirceu volte ao Diretório Nacional do PT e não acho que ele faça direção paralela. O Zé é militante histórico do partido, um animal político. Faz parte do DNA dele. Políticos de partidos aliados o procuram para conversar porque sabem da sua influência dentro do PT. Isso é inegável.Depois da crise de 2005, só o tesoureiro Delúbio Soares foi expulso, mas nenhum dirigente do PT foi punido. Por que?Ele era tesoureiro e implantou práticas ilegais do ponto de vista do financiamento. Expôs o partido, de forma avassaladora, a uma crise de imagem profunda. O PT não entrou no mérito se os acusados eram culpados ou não. O que motivou a expulsão do Delúbio foi o cargo que ele ocupava.
Como evitar que daqui para a frente o PT protagonize novos escândalos, como a crise do mensalão?O partido, como qualquer outra instituição, precisa desenvolver mecanismos para evitar erros e puni-los. Não é uma justificativa, mas eu insisto num ponto: o modelo de financiamento eleitoral no Brasil está absolutamente esgotado. E é um indutor de ações irregulares ou ilegais.De caixa 2...Todo mundo critica o caixa 2. Aí quando saem as prestações de contas da campanha, a primeira coisa que a imprensa faz é entrar no site do Tribunal Superior Eleitoral e ver lá que a empresa tal deu dinheiro para a campanha tal. Aí começam a fazer ilações de que ela financiou o candidato tal para poder se beneficiar em uma votação. Desse jeito, onde vamos chegar?O que o sr. quer dizer com isso?A empresa que opta por financiar legalmente é execrada porque financiou o partido A, B ou C ou porque tem contrato com determinado governo. É uma coisa risível porque toda empresa tem algum tipo de relação com algum ente do governo federal. Então, essas empresas não podem doar. Ao mesmo tempo não pode ter o caixa 2.
Então, como é que querem que se faça campanha?Qual é a saída?A única alternativa é instituir o financiamento público e exclusivo de campanha. Fora disso, a gente vai continuar eternamente nessa relação hipócrita, que leva a uma situação na qual ou você opta pelo caixa 2 ou corre o risco de doar legalmente e virar manchete depois da eleição. Esse é o dilema, hoje, dos empresários brasileiros.O sr. acha que a eleição de 2010 corre esse risco também?Olha, como não se mudou o modelo, em toda eleição há risco de você ter desvios, caixa 2. É inerente ao modelo. E isso vale para todos os partidos.Então por que não se votou a reforma política? O governo tinha maioria para aprová-la no Congresso.Todos aqueles que estão ali foram eleitos com a atual regra. Então, é natural que pensem: "Se mudar, será que vou me eleger?"
Não há nenhuma instituição que se auto-reforme.Vai ficar tudo como está?Vou propor a candidatos do PT à Câmara e ao Senado que adotem a bandeira da reforma política, na campanha de 2010. É um mote partidário. Como o Congresso é uma caixa de ressonância da população, a única forma de mudar isso é a pressão de fora para dentro.
Domingo, 29 de Novembro de 2009
''Em toda eleição há risco de caixa 2''
Com a missão de comandar o PT na campanha de Dilma, Dutra diz que atual modelo induz a práticas ilegais
Vera Rosa
Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")
O novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, admite que há risco de caixa 2 nas eleições de 2010, em todos os partidos. Sob a alegação de que o modelo de financiamento eleitoral no Brasil está "absolutamente esgotado", ele afirma que o atual sistema é "indutor" de ações irregulares e ilegais."Em toda eleição há risco de você ter desvios, caixa 2. É inerente ao modelo", constata Dutra, que vai coordenar a campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Para ele, que é ex-senador, a única saída é o financiamento público de campanha. "Fora disso, a gente vai continuar nessa relação hipócrita", emenda, ao pregar que candidatos à Câmara e ao Senado adotem a reforma política como bandeira.Ex-presidente da BR Distribuidora e da Petrobrás, Dutra foi eleito para comandar o PT pela chapa da corrente Construindo um Novo Brasil, que abriga nomes envolvidos no escândalo do mensalão.
Ele defendeu a volta do ex-ministro José Dirceu à cúpula do PT, disse que o partido aprendeu com erros, mas negou que o mensalão tenha sido uma prática para comprar apoio ao governo no Congresso, circunscrevendo a crise ao caixa 2.O sr. foi eleito presidente do PT pela corrente Construindo um Novo Brasil , que abriga o ex-ministro José Dirceu e outros citados no escândalo do mensalão. A leitura não é a de que nada mudou no PT?Os companheiros José Dirceu, José Genoino e João Paulo são importantes no nosso partido e estão no pleno gozo de seus direitos partidários. Não tenho nenhum constrangimento em compor com eles a chapa. O episódio de 2005 trouxe lições para o partido.Que lições?A partir dali, nós elaboramos um Código de Ética bastante rigoroso e temos a obrigação de fazer com que não seja simplesmente um papel escrito.O sr. não teme ficar com a pecha de abrigar mensaleiros?Eu repudio a adjetivação de mensaleiros para os deputados do PT. A justificativa que eles apresentaram foi relacionada a um outro problema, que é real, mas vai ter de ser resolvido através da reforma política: o financiamento de campanha através de caixa 2.
O sr. já disse que o mensalão foi um erro e não passou de uma grife. Mas agora o presidente Lula afirmou que foi um golpe contra o governo...O fato da existência de caixa 2 é notório e comprovado, mas a forma com que se tentou conduzir o processo foi uma tentativa de inviabilizar o governo.Mas não foi só caixa 2. Houve desvio de recursos públicos...Não ficou comprovada nenhuma ação de governo nesse episódio. Se a lógica era que o mensalão servia para votar a favor do governo, como surgem ali deputados que não votavam, como o então presidente da Câmara, João Paulo, e o líder do próprio governo, Professor Luizinho? Agora, tinha um deputado do PFL, o Roberto Brant, que também recebeu dinheiro do Banco Rural. Por que esse episódio sumiu e não é citado na peça da procuradoria? Porque contribui para desmontar a tese de que o dinheiro era para votar a favor do governo.O ex-ministro Dirceu faz uma espécie de direção paralela do PT, dando orientações ao partido por meio de seu blog. Não o incomoda o fato de ele voltar ao Diretório do PT?Muito pelo contrário. Eu defendo que o Zé Dirceu volte ao Diretório Nacional do PT e não acho que ele faça direção paralela. O Zé é militante histórico do partido, um animal político. Faz parte do DNA dele. Políticos de partidos aliados o procuram para conversar porque sabem da sua influência dentro do PT. Isso é inegável.Depois da crise de 2005, só o tesoureiro Delúbio Soares foi expulso, mas nenhum dirigente do PT foi punido. Por que?Ele era tesoureiro e implantou práticas ilegais do ponto de vista do financiamento. Expôs o partido, de forma avassaladora, a uma crise de imagem profunda. O PT não entrou no mérito se os acusados eram culpados ou não. O que motivou a expulsão do Delúbio foi o cargo que ele ocupava.
Como evitar que daqui para a frente o PT protagonize novos escândalos, como a crise do mensalão?O partido, como qualquer outra instituição, precisa desenvolver mecanismos para evitar erros e puni-los. Não é uma justificativa, mas eu insisto num ponto: o modelo de financiamento eleitoral no Brasil está absolutamente esgotado. E é um indutor de ações irregulares ou ilegais.De caixa 2...Todo mundo critica o caixa 2. Aí quando saem as prestações de contas da campanha, a primeira coisa que a imprensa faz é entrar no site do Tribunal Superior Eleitoral e ver lá que a empresa tal deu dinheiro para a campanha tal. Aí começam a fazer ilações de que ela financiou o candidato tal para poder se beneficiar em uma votação. Desse jeito, onde vamos chegar?O que o sr. quer dizer com isso?A empresa que opta por financiar legalmente é execrada porque financiou o partido A, B ou C ou porque tem contrato com determinado governo. É uma coisa risível porque toda empresa tem algum tipo de relação com algum ente do governo federal. Então, essas empresas não podem doar. Ao mesmo tempo não pode ter o caixa 2.
Então, como é que querem que se faça campanha?Qual é a saída?A única alternativa é instituir o financiamento público e exclusivo de campanha. Fora disso, a gente vai continuar eternamente nessa relação hipócrita, que leva a uma situação na qual ou você opta pelo caixa 2 ou corre o risco de doar legalmente e virar manchete depois da eleição. Esse é o dilema, hoje, dos empresários brasileiros.O sr. acha que a eleição de 2010 corre esse risco também?Olha, como não se mudou o modelo, em toda eleição há risco de você ter desvios, caixa 2. É inerente ao modelo. E isso vale para todos os partidos.Então por que não se votou a reforma política? O governo tinha maioria para aprová-la no Congresso.Todos aqueles que estão ali foram eleitos com a atual regra. Então, é natural que pensem: "Se mudar, será que vou me eleger?"
Não há nenhuma instituição que se auto-reforme.Vai ficar tudo como está?Vou propor a candidatos do PT à Câmara e ao Senado que adotem a bandeira da reforma política, na campanha de 2010. É um mote partidário. Como o Congresso é uma caixa de ressonância da população, a única forma de mudar isso é a pressão de fora para dentro.
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C.B. sem atenuantes .Sem palavras.
César Benjamin: sem atenuantes
Publicado em 30-Nov-2009
-->-->
-->Duarte Pereira - que já foi militante de esquerda e dirigente...
Duarte Pereira - que já foi militante de esquerda e dirigente máximo da Ação Popular nos anos 60 - juntou-se às ignomias de César Benjamin. Distribuiu pela internet carta na qual prega que a infâmia dirigida contra o presidente Lula fosse “apurada”, ofertando o direito à dúvida às acusações mentirosas e de má fé publicadas na Folha de São Paulo. Gilberto Maringoni – professor, chargista e filiado ao PSOL – escreveu, em resposta, a carta que abaixo publico:"Caro Duarte: Você sabe do respeito imenso que tenho por você, por seu discernimento político e por sua história. Por isso quero falar-lhe como amigo e companheiro. Não acho correto darmos credibilidade ao Cesar Benjamin neste episódio. Ele tem também um passado de lutas e uma capacidade de elaboração respeitável.Mas há tempos, Cesar resolveu buscar um espaço em voo solo, descolando-se de qualquer ação coletiva. Não sei exatamente o que se passa. Não sei se é uma vaidade imensa, não sei se é alguma questão política, ou se um modo de se fazer política com o fígado. Uma denúncia como a que ele faz não é uma denúncia pessoal. Só encontro paralelo recente no caso Miriam Cordeiro. Levanta-se um pecado íntimo para se atacar uma vertente política.Por que a denúncia não foi feita antes ? Por que a denúncia foi feita na Folha? Por que ela é feita quando o governo tem uma atitude digna na questão hondurenha? Por que ela é feita quando Lula recebe um inimigo figadal de Israel? Por que ela é feita quando há um afrouxamento mínimo na política monetária? Por que ela é feita quando se travam as privatizações dos aeroportos? Por que ela é feita quando a direita faz uma ofensiva de conjunto na América Latina? Por que a Folha abriu uma página inteira a ela? Por que ele faz isso na boca de uma campanha eleitoral? Por que ele faz isso quando o candidato da direita - José Serra - começa a cair nas pesquisas?O caso me evoca outra lembrança triste.No início dos anos 1970, alguns militantes da esquerda revolucionária, muito jovens, não aguentando as torturas a que foram submetidos na prisão, foram para a TV. Afirmavam estarem arrependidos da luta. Anos atrás eu os classificava com o epíteto seco de 'traidores'. Hoje, pensando no fato de serem adolescentes, pondero meu tom. Não fizeram um papel edificante. Causaram prejuízos irreparáveis. Mas eram meninos acuados.
O caso mais evidente foi o de Massafumi Yoshinagui, da VPR. Foi até capa de Veja, em 1971. Viveu atormentado com seu gesto, até se suicidar em 1976, aos 26 anos de idade. Quase 40 anos depois, Cesinha - que não é mais um menino - vai para as páginas e holofotes da grande mídia, fazer o que as classes dominantes querem. Recebi notícias que blogs da direita estão difundindo o texto.
Conheço o Cesinha há cerca de 25 anos. Sinto que nós o perdemos irremediavelmente. Fico envergonhado com o papel que ele está desempenhando. Seu passado não merece isso. Mas a História irá julgá-lo. Por ora fica na ponta da minha língua o adjetivo que usei contra os que foram à televisão naqueles anos. E não encontro atenuantes para César Benjamin. Faço votos que ele se dê bem no outro lado.
Abraços, Maringoni"
Fonte: Blog do Zé
Publicado em 30-Nov-2009
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-->Duarte Pereira - que já foi militante de esquerda e dirigente...
Duarte Pereira - que já foi militante de esquerda e dirigente máximo da Ação Popular nos anos 60 - juntou-se às ignomias de César Benjamin. Distribuiu pela internet carta na qual prega que a infâmia dirigida contra o presidente Lula fosse “apurada”, ofertando o direito à dúvida às acusações mentirosas e de má fé publicadas na Folha de São Paulo. Gilberto Maringoni – professor, chargista e filiado ao PSOL – escreveu, em resposta, a carta que abaixo publico:"Caro Duarte: Você sabe do respeito imenso que tenho por você, por seu discernimento político e por sua história. Por isso quero falar-lhe como amigo e companheiro. Não acho correto darmos credibilidade ao Cesar Benjamin neste episódio. Ele tem também um passado de lutas e uma capacidade de elaboração respeitável.Mas há tempos, Cesar resolveu buscar um espaço em voo solo, descolando-se de qualquer ação coletiva. Não sei exatamente o que se passa. Não sei se é uma vaidade imensa, não sei se é alguma questão política, ou se um modo de se fazer política com o fígado. Uma denúncia como a que ele faz não é uma denúncia pessoal. Só encontro paralelo recente no caso Miriam Cordeiro. Levanta-se um pecado íntimo para se atacar uma vertente política.Por que a denúncia não foi feita antes ? Por que a denúncia foi feita na Folha? Por que ela é feita quando o governo tem uma atitude digna na questão hondurenha? Por que ela é feita quando Lula recebe um inimigo figadal de Israel? Por que ela é feita quando há um afrouxamento mínimo na política monetária? Por que ela é feita quando se travam as privatizações dos aeroportos? Por que ela é feita quando a direita faz uma ofensiva de conjunto na América Latina? Por que a Folha abriu uma página inteira a ela? Por que ele faz isso na boca de uma campanha eleitoral? Por que ele faz isso quando o candidato da direita - José Serra - começa a cair nas pesquisas?O caso me evoca outra lembrança triste.No início dos anos 1970, alguns militantes da esquerda revolucionária, muito jovens, não aguentando as torturas a que foram submetidos na prisão, foram para a TV. Afirmavam estarem arrependidos da luta. Anos atrás eu os classificava com o epíteto seco de 'traidores'. Hoje, pensando no fato de serem adolescentes, pondero meu tom. Não fizeram um papel edificante. Causaram prejuízos irreparáveis. Mas eram meninos acuados.
O caso mais evidente foi o de Massafumi Yoshinagui, da VPR. Foi até capa de Veja, em 1971. Viveu atormentado com seu gesto, até se suicidar em 1976, aos 26 anos de idade. Quase 40 anos depois, Cesinha - que não é mais um menino - vai para as páginas e holofotes da grande mídia, fazer o que as classes dominantes querem. Recebi notícias que blogs da direita estão difundindo o texto.
Conheço o Cesinha há cerca de 25 anos. Sinto que nós o perdemos irremediavelmente. Fico envergonhado com o papel que ele está desempenhando. Seu passado não merece isso. Mas a História irá julgá-lo. Por ora fica na ponta da minha língua o adjetivo que usei contra os que foram à televisão naqueles anos. E não encontro atenuantes para César Benjamin. Faço votos que ele se dê bem no outro lado.
Abraços, Maringoni"
Fonte: Blog do Zé
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Verdes, vermelhos de raiva...
-->Le Monde destaca Lula na COP-15
Publicado em 01-Dez-2009
-->Não sou eu que estou falando...
Não sou eu que estou falando, apenas transmito a notícia a vocês: o Le Monde, jornal parisiense, publicou matéria em que prevê - e reconhece desde já - que o Brasil assume a liderança da luta contra o aquecimento global e terá papel de destaque na Conferência Mundial de Clima da Organização das Nações Unidas, a COP-15, que se inicia no próximo dia 7 em Copenhague (Dinamarca). A matéria do Le Monde teve reflexos imediatos no Brasil.
Em entrevista publicada hoje pelo Estadão, o empresário Guilherme Leal, dono da Natura e cotado para ser o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pela presidenciável do PV, senadora Maria Silva (AC), afirma que o presidente Lula vê a questão do meio ambiente como empecilho para o crescimento econômico.Nada mais equivocado. Guilherme Leal repete uma tese que não encontra base na realidade. Mas, sua entrevista e tese são compreensíveis: eles ficaram sem discurso para Copenhague e ao contrário do que planejaram e sonharam, perderam, principalmente, o espaço na mídia, já que o presidente Lula será a grande personagem da Conferência mundial.
O chefe do Estado brasileiro será "o cara" da Conferência porque vai até ela com propostas e realizações concretas no campo da preservação ambiental e climática, que o credenciam a corresponder ao papel que a comunidade internacional - e o Le Monde vocaliza isso - já reconhece nele, de líder e grande articulador de uma saída para a COP-15.Com isso, os verdes brasileiros e em particular a senadora presidenciável Marina Silva não contavam. E isso eles não suportam. Torciam para o governo não avançar em propostas concretas, mas o presidente Lula as fez. Resultado: perderam o discurso e o espaço com os quais programavam se destacar, inclusive de olho na política interna, a sucessão presidencial do ano que vem.
Foto: Ricardo Stuckert/ABr
Fonte: Blog do Zé
Publicado em 01-Dez-2009
-->Não sou eu que estou falando...
Não sou eu que estou falando, apenas transmito a notícia a vocês: o Le Monde, jornal parisiense, publicou matéria em que prevê - e reconhece desde já - que o Brasil assume a liderança da luta contra o aquecimento global e terá papel de destaque na Conferência Mundial de Clima da Organização das Nações Unidas, a COP-15, que se inicia no próximo dia 7 em Copenhague (Dinamarca). A matéria do Le Monde teve reflexos imediatos no Brasil.
Em entrevista publicada hoje pelo Estadão, o empresário Guilherme Leal, dono da Natura e cotado para ser o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pela presidenciável do PV, senadora Maria Silva (AC), afirma que o presidente Lula vê a questão do meio ambiente como empecilho para o crescimento econômico.Nada mais equivocado. Guilherme Leal repete uma tese que não encontra base na realidade. Mas, sua entrevista e tese são compreensíveis: eles ficaram sem discurso para Copenhague e ao contrário do que planejaram e sonharam, perderam, principalmente, o espaço na mídia, já que o presidente Lula será a grande personagem da Conferência mundial.
O chefe do Estado brasileiro será "o cara" da Conferência porque vai até ela com propostas e realizações concretas no campo da preservação ambiental e climática, que o credenciam a corresponder ao papel que a comunidade internacional - e o Le Monde vocaliza isso - já reconhece nele, de líder e grande articulador de uma saída para a COP-15.Com isso, os verdes brasileiros e em particular a senadora presidenciável Marina Silva não contavam. E isso eles não suportam. Torciam para o governo não avançar em propostas concretas, mas o presidente Lula as fez. Resultado: perderam o discurso e o espaço com os quais programavam se destacar, inclusive de olho na política interna, a sucessão presidencial do ano que vem.
Foto: Ricardo Stuckert/ABr
Fonte: Blog do Zé
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Uma Campinas Vermelha e Preta
Estivemos em Campinas acompanhando a bela vitória do Flamengo contra Corínthians.
O Estádio Brinco de Ouro da Princesa não passa de um brinco de bijouteria de lata da plebéia, de tão precária. o banheiro com com água e mijo na altura do tornozelo, você não sabe se mija nele ou ele mija em você. Um copo de água mineral a tres reais e a Polícia Militar de SP, proibiu a entrada de bolsas e mochilas ocasionando um enorme problema para os torcedores de fora da cidade dos dois times, um da capital e outro do Rio.
Outra questão , as companhias de onibus e de aviação desconheciam a realização do jogo, estava tudo lotado, sem quaquer horário extra.
Mas valeu a pena, o mengão esteve incrível, soberano e será campeão brasileiro.
para quem achou que o jogo era uma barbada, que o Corínthians estava desmotivado, não viu a porrada do Chicão no Fierro, as entradas do Souza, a garra do time do Corinthians e nem a expução do seu técnico.
Valeu Mengão, até domingo.
O Estádio Brinco de Ouro da Princesa não passa de um brinco de bijouteria de lata da plebéia, de tão precária. o banheiro com com água e mijo na altura do tornozelo, você não sabe se mija nele ou ele mija em você. Um copo de água mineral a tres reais e a Polícia Militar de SP, proibiu a entrada de bolsas e mochilas ocasionando um enorme problema para os torcedores de fora da cidade dos dois times, um da capital e outro do Rio.
Outra questão , as companhias de onibus e de aviação desconheciam a realização do jogo, estava tudo lotado, sem quaquer horário extra.
Mas valeu a pena, o mengão esteve incrível, soberano e será campeão brasileiro.
para quem achou que o jogo era uma barbada, que o Corínthians estava desmotivado, não viu a porrada do Chicão no Fierro, as entradas do Souza, a garra do time do Corinthians e nem a expução do seu técnico.
Valeu Mengão, até domingo.
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SOU LULA, SOU DILMA, VOTO LUIZ SERGIO
Nesta reta final, 2º turno das eleições do PED para escolha do Presidente do PT no Estado do Rio de Janeiro. Eu sou Lula, sou Dilma, voto Luiz Sergio 386
Luiz Sergio jamais se omitiu. Na crise do mensalão esteve direto na tribuna da Câmara defendo Lula e o PT. Luiz Sergio foi o relator da CPI dos cartões corporativos. Jamais se omitiu. É muito disciplinado quanto as normas do partido . Conhece muito bem o interior e seus militantes.
Quanto a candidatura própria ao governo do estado, ela será decidida no fórum adequado, ou seja no Encontro do PT do RJ em Fevereiro.
Não queremos pacote, vamos votar o que é pra ser votado neste 2º turno, o PRESIDENTE DO PT PARA O RIO DE JANEIRO.
SOU LULA, SOU DILMA, VOTO LUIZ SERGIO 386
:: PED-2009 – As Propostas de Luiz Sérgio ::
Conheça as principais propostas de Luiz Sérgio para construir um PT FORTE NO RIO.
Fortalecer o PT garantindo a composição de uma direção que seja representativa e atuante. Organizar um calendário funcional de reuniões do Diretório Estadual, com pauta pré-estabelecida e divulgada, trabalhando para ampliar a participação das direções municipais.
Fomentar e articular a efetivação das microrregiões garantindo-lhes autonomia para a discussão política local.
Adotar uma lógica de regionalização dos espaços de Rádio e TV do partido com o objetivo de mostrar a verdadeira força do PT no estado e fomentar o surgimento e fortalecimento de novas lideranças.
Garantir a realização de cursos de formação política em parceria com a Fundação Perseu Abramo, a fim de qualificar cada vez mais os militantes e contribuir para elevar o nível da discussão política no interior do partido.
Trabalhar para garantir que após a filiação de novos companheiros haja um processo de formação com o objetivo criar bases sólidas para que os novos militantes tenham compromisso com as diretrizes ideológicas e programáticas do Partido dos Trabalhadores.
Ampliar a discussão em torno da política de alianças do PT definindo critérios e estratégias que visem ao fortalecimento do partido e seu crescimento. Essa política deve estar afinada com o projeto nacional sem, no entanto, deixar de contemplar nossos legítimos interesses regionais.
Dinamizar as ações de comunicação interna e externa. Investir na qualidade e periodicidade do nosso jornal além de ampliar a presença do PT-RJ na Internet através de instrumentos de comunicação direta e novas redes sociais.
Aumentar a interação entre a direção partidária e os movimentos sociais representados no PT pelas secretarias e setoriais. Com isso, manter e aprofundar a ligação direta que o PT historicamente possui com as lutas das minorias e da classe trabalhadora.
Fazer com que o PT-RJ se aproprie das conquistas e o dos avanços do Governo Lula no estado, fomentando campanhas que dialoguem amplamente com o conjunto da sociedade. O PT precisa estar à frente de debates como a Reforma Política, o investimento dos recursos do Pré-Sal e royalties, o combate à violência e a melhora dos sistemas de saúde e ensino públicos.
A HORA ESTÁ CHEGANDO! NOSSO 2º TURNO DO PED É NESTE DOMINGO, 6 DE DEZEMBRO. COMPAREÇA E VOTE POR UM PT FORTE NO RIO, PT FORTE NO BRASIL
Atenção, quem não votou no 1º turno, pode votar no 2º se estiver com a contribuição em dia.
LUIZ SÉRGIO PRESIDENTE - 386
Luiz Sergio jamais se omitiu. Na crise do mensalão esteve direto na tribuna da Câmara defendo Lula e o PT. Luiz Sergio foi o relator da CPI dos cartões corporativos. Jamais se omitiu. É muito disciplinado quanto as normas do partido . Conhece muito bem o interior e seus militantes.
Quanto a candidatura própria ao governo do estado, ela será decidida no fórum adequado, ou seja no Encontro do PT do RJ em Fevereiro.
Não queremos pacote, vamos votar o que é pra ser votado neste 2º turno, o PRESIDENTE DO PT PARA O RIO DE JANEIRO.
SOU LULA, SOU DILMA, VOTO LUIZ SERGIO 386
:: PED-2009 – As Propostas de Luiz Sérgio ::
Conheça as principais propostas de Luiz Sérgio para construir um PT FORTE NO RIO.
Fortalecer o PT garantindo a composição de uma direção que seja representativa e atuante. Organizar um calendário funcional de reuniões do Diretório Estadual, com pauta pré-estabelecida e divulgada, trabalhando para ampliar a participação das direções municipais.
Fomentar e articular a efetivação das microrregiões garantindo-lhes autonomia para a discussão política local.
Adotar uma lógica de regionalização dos espaços de Rádio e TV do partido com o objetivo de mostrar a verdadeira força do PT no estado e fomentar o surgimento e fortalecimento de novas lideranças.
Garantir a realização de cursos de formação política em parceria com a Fundação Perseu Abramo, a fim de qualificar cada vez mais os militantes e contribuir para elevar o nível da discussão política no interior do partido.
Trabalhar para garantir que após a filiação de novos companheiros haja um processo de formação com o objetivo criar bases sólidas para que os novos militantes tenham compromisso com as diretrizes ideológicas e programáticas do Partido dos Trabalhadores.
Ampliar a discussão em torno da política de alianças do PT definindo critérios e estratégias que visem ao fortalecimento do partido e seu crescimento. Essa política deve estar afinada com o projeto nacional sem, no entanto, deixar de contemplar nossos legítimos interesses regionais.
Dinamizar as ações de comunicação interna e externa. Investir na qualidade e periodicidade do nosso jornal além de ampliar a presença do PT-RJ na Internet através de instrumentos de comunicação direta e novas redes sociais.
Aumentar a interação entre a direção partidária e os movimentos sociais representados no PT pelas secretarias e setoriais. Com isso, manter e aprofundar a ligação direta que o PT historicamente possui com as lutas das minorias e da classe trabalhadora.
Fazer com que o PT-RJ se aproprie das conquistas e o dos avanços do Governo Lula no estado, fomentando campanhas que dialoguem amplamente com o conjunto da sociedade. O PT precisa estar à frente de debates como a Reforma Política, o investimento dos recursos do Pré-Sal e royalties, o combate à violência e a melhora dos sistemas de saúde e ensino públicos.
A HORA ESTÁ CHEGANDO! NOSSO 2º TURNO DO PED É NESTE DOMINGO, 6 DE DEZEMBRO. COMPAREÇA E VOTE POR UM PT FORTE NO RIO, PT FORTE NO BRASIL
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LUIZ SÉRGIO PRESIDENTE - 386
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